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‘Recorde de
produtividade’ nos EUA é só arrocho e recessão
A redução nas horas
trabalhadas no trimestre foi bem maior que a diminuição da produção
correspondente. Ou seja, após demissões em massa, os que ficaram foram
esfolados para dar conta da produção em menos horas de trabalho
O Departamento do Trabalho dos EUA acaba de anunciar, em meio à maior crise
econômica desde a Grande Depressão, que a produtividade bateu recorde no
segundo trimestre do ano, chegando a 6,4%, mais do dobro da média dos
últimos vinte anos. Seria um sinal de recuperação econômica, mesmo em pleno
trimestre do colapso da GM e da Chrysler, como a comemorada queda nas
demissões e o rally em Wall Street? Possibilidade que o próprio relatório do
Bureau de Estatísticas do Trabalho sobre o “recorde” na produtividade joga
para longe, apesar do encantamento produzido em boa parte da mídia.
A
“produtividade” disparou exatamente por conta do agravamento da recessão,
sendo que a redução nas horas trabalhadas no trimestre foi bem maior do que
a diminuição da produção correspondente. A produção (não-agrícola) caiu no
trimestre (a uma taxa anualizada) em 1,7%, enquanto as horas trabalhadas
diminuíram 7,6% (anualizado). Ou seja, após demissões em massa que,
oficialmente, acrescentaram mais 6,7 milhões ao rol dos desempregados, os
que ainda ficaram no emprego foram escalpelados para dar conta da produção
em menos horas de trabalho.
BASE DE COMPARAÇÃO
Em parte,
o recorde também se deve à base de comparação escolhida: o primeiro
trimestre de 2009, período em que ocorreu a maior redução na produção desde
o início da crise. (Ao se comparar com o segundo trimestre do ano passado -
antes do aguçamento da crise em setembro de 2008 -, o ganho de produtividade
se torna modesto, e abaixo da média: 1,8%. No caso, a queda na produção foi
de 5,6% e a contração nas horas trabalhadas, 7,3%).
Considerando apenas a indústria, a produtividade fica em 2% para bens
não-duráveis, 3,9% para bens duráveis e 5,3% manufatura em geral (taxas
anualizadas, e comparadas com o primeiro trimestre). Em relação ao segundo
trimestre do ano passado, a produtividade da indústria é um desastre: - 1,3%
na manufatura em geral; - 5% nos bens duráveis; e – 0,2% nos bens não
duráveis. Resultados compatíveis com o fato de, em junho de 2009, a
utilização da capacidade da indústria, segundo a revista “Business Week”,
ter caído ao nível mais baixo desde que começou a ser computado em 1967:
68%.
MANUFATURA
A
propósito, a queda da produção na manufatura no segundo trimestre de 2009 em
relação ao mesmo período de 2008 foi de 15%; a dos bens duráveis, de 21,1%;
e a dos não-duráveis, de 8,9%. (Já a redução nas horas trabalhadas foi,
respectivamente, de 13,9%; 16,9%; e 8,6%. A produção não-agrícola no
conjunto havia sofrido uma contração de 5,6% - a maior desde 1948 -, sendo
que a redução nas horas trabalhadas foi de 7,3%.
No
entanto, o “recorde” não expressou apenas a já assinalada queda maior nas
horas trabalhadas frente à contração da produção. Ocorreu, paralelamente,
uma redução da massa salarial, o que tem como conseqüência deprimir o
consumo, já atingido em cheio pelas demissões aos milhões, e que é tido como
responsável por 70% do PIB. O salário real por hora caiu em 1,1%, no geral,
no segundo trimestre.
ANTONIO
PIMENTA
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