|
Ilusão
estatística dá sumiço em 900 mil desempregados
Essa não foi a única comemoração da mídia com a “melhora” na economia dos EUA.
Também fizeram uma festa com a redução das demissões, da ordem de meio milhão de
trabalhadores, para os 247 mil em julho registrados pelo Departamento do
Trabalho. O ex-subsecretário do Tesouro de Reagan, Paul Craig Roberts, lançou um
questio-namento sobre os números do desemprego anunciados. “Você acredita que a
indústria automobilística dos EUA adicionou 28 mil empregos em julho em meio à
bancarrota da GM, venda de divisões e fechamento de fábricas, e devastação das
revendas?”.
“Não? Bem, foi isso que o Bureau de Estatísticas do Trabalho registrou”,
assinalou Paul Craig. Ele explicou como é que um desatino desses foi cometido:
“Os 28 mil novos empregos foram criados por ‘ajustes sazonais’” – feitos
anualmente pelo Bureau para adequar o cálculo às variações de pessoal no período
de ajustes para lançamento dos novos modelos. Só que este ano, com o colapso de
GM e Chrysler, isso não tinha qualquer sentido, mas foi mantido, assim como
quanto às autopeças e revendas.
No recente artigo “Ilusões Estatísticas”, Paul Craig denunciou outra
manipulação. Como os “ajustes” usados no atual modelo para estimativa do saldo
de empregos/desempregos do Bureau de Estatística do Trabalho implicam em inflar
artificialmente 900 mil empregos em plena recessão. Ele citou trabalho a
respeito de John Williams.
O atual modelo “subestima a perda de empregos durante os períodos de contração
[econômica]”, assinalou Williams. De acordo com esse modelo, são somados todo
mês 75 mil novos empregos ao total de empregos obtido das folhas de pagamento
das empresas, com base na suposição de que seriam criados mais empregos
não-registrados nas novas empresas que surgem a cada mês do que são perdidos
empregos não-registrados por falências. Tal “ajuste” pode fazer sentido em
períodos de expansão da economia – embora possa se perguntar porque 75 mil e não
50 mil ou outro número qualquer -, mas em plena recessão, está furado. 75 mil
vezes 12 meses dá 900 mil empregos fantasmas.
O artigo aponta, ainda, “os falsos sinais de recuperação”, obtidos através
da comparação com período anterior em que houve colapso. A taxa de desemprego
também é ilusória, porque os trabalhadores sem emprego há mais de um ano
“simplesmente são apagados das listas”.
A.P.
|