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As bases
militares ianques e a soberania latino-americana -2
FIDEL CASTRO
O TLCAN é o mais
brutal acordo imposto a um país em desenvolvimento. Em prol da brevidade, é
suficiente assinalar que o Governo dos Estados Unidos recém afirmou
textualmente: “No momento em que o México tem sofrido um golpe duplo, não só
pela queda de sua economia, mas também pelos efeitos do vírus A H1N1,
provavelmente queremos ter a economia mais estabilizada antes de ter uma
longa discussão sobre as novas negociações comerciais”. Logicamente não se
faz nenhuma referência a que, como consequência da guerra desatada pelo
tráfico de drogas, na qual o México utiliza 36 mil soldados, em 2009 tenham
morrido quase quatro mil mexicanos. O fenômeno repete-se em maior ou menor
grau no resto da América Latina. A droga não só engendra problemas graves de
saúde, engendra a violência que estraçalha o México e a América Latina como
fruto do mercado dos Estados Unidos, fonte inesgotável das divisas com as
quais é fomentada a produção de cocaína e heroína, e é o país onde são
fornecidas as armas usadas nessa feroz e não divulgada guerra.
Aqueles que
morrem do Rio Grande até os confins da América do Sul são latino-americanos.
Deste modo, a violência geral bate recorde de mortes e as vítimas
ultrapassam a cifra de 100 mil por ano na América Latina, engendradas
principalmente pelas drogas e a pobreza.
O império não
luta contra as drogas dentro de suas fronteiras; luta nos territórios
latino-americanos.
No nosso país
não são cultivadas a coca nem a papoula. Lutamos com eficiência contra os
que tentam introduzir drogas em Cuba ou utilizar nosso país como passagem, e
os índices de pessoas que morrem por causa da violência diminuem a cada ano.
Para isso não precisamos de soldados ianques. A luta contra as drogas é um
pretexto para estabelecer bases militares em todo o hemisfério. Desde quando
os navios da IV Frota e os aviões modernos de combate servem para combater
as drogas?
O verdadeiro
objetivo é o controle dos recursos económicos, o domínio dos mercados e a
luta contra as mudanças sociais. Que necessidade tinham de restabelecer essa
frota, desmobilizada no fim da Segunda Guerra Mundial, há mais de 60 anos,
quando já não existe a URSS nem a guerra fria? Os argumentos utilizados para
o estabelecimento de sete bases aeronavais na Colômbia são ao longo do
Século XX um insulto à inteligência.
DESLEALDADE
A história não
perdoará os que cometem essa deslealdade contra os seus povos, tampouco os
que usam como pretexto o exercício da soberania para coonestar a presença de
tropas ianques. A que soberania fazem referência? À conquistada por Bolívar,
Sucre, San Martín, O´Higgins, Morelos, Juárez, Tiradentes, Martí? Nenhum
deles teria aceitado tão repudiável argumento para justificar a concessão de
bases militares às Forças Armadas dos Estados Unidos, um império mais
dominante, mais poderoso e mais universal do que as coroas da península
ibérica.
Se como
consequência desses acordos promovidos de forma ilegal inconstitucional
pelos Estados Unidos, qualquer governo desse país utilizasse essas bases,
mesmo como o fizeram Reagan com a guerra suja e Bush com a do Iraque, para
provocarem um conflito armado entre dois povos irmãos, seria uma grande
tragédia. A Venezuela e a Colômbia nasceram juntas na história da América
após as batalhas de Boyacá e Carabobo, sob a direcção de Simon Bolívar. As
forças ianques podiam promover uma guerra suja como fizeram na Nicarágua,
inclusive utilizar soldados de outras nacionalidades treinados por eles e
poderiam atacar algum país, porém dificilmente o povo combativo, valente e
patriótico da Colômbia se deixe arrastar para a guerra contra um povo irmão
como o da Venezuela.
Enganam-se os
imperialistas se subestimam igualmente os outros povos da América Latina.
Nenhum deles aprovará a instalação de bases militares ianques, nenhum deles
deixará de ser solidário com qualquer povo latino-americano agredido pelo
imperialismo.
Martí admirava
extraordinariamente Bolívar e não se enganou quando disse: “assim está
Bolívar no céu da América, vigilante e carrancudo… calçadas ainda as botas
de campanha, porque aquilo que ele não deixou feito, hoje está por fazer:
porque Bolívar ainda tem coisas a fazer na América.”
Havana, 9 de
agosto de 2009. |