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Operação
Sarkozy: Como a CIA alçou um dos seus agentes à presidência da França (2)
As origens do
presidente francês Nicolas Sarkozy e as alianças que o conduziram ao poder.
Conforme o autor do artigo, todas as informações nele contidas são verificáveis,
com exceção de duas imputações, pelas quais ele assume a responsabilidade
exclusiva
THIERRY MEYSSAN*
Continuação da edição anterior
Ao longo de todo o seu primeiro mandato, Jacques
Chirac manteve Nicolas Sarkozy à distância. Este último se mantém em silencio
durante esta longa travessia do deserto. Discretamente, continua a estabelecer
relações nos círculos financeiros.
Em 1996, Nicolas
Sarkozy, depois de um longo processo de divórcio, casa-se com Cecília. Eles têm
como padrinhos os dois milionários Martin Bouygues e Bernard Arnaud (o homem
mais rico do país).
ÚLTIMO ATO
Muito antes da crise
iraquiana, Frank Wisner Jr. e seus colegas da CIA planejam a destruição da
corrente gaullista e a ascensão ao poder de Nicolas Sarkozy. Eles agem em três
etapas: primeiro a eliminação da direção do partido gaullista e a tomada de
controle de sua estrutura. Depois, a eliminação do principal rival de direita e
a investidura do partido gaullista à eleição presidencial. E finalmente, a
eliminação de todo rival sério à esquerda de maneira a que fosse certo que
Sarkozy ganhasse a eleição presidencial da República Francesa.
Durante anos, os
meios de comunicação foram mantidos pendentes das revelações póstumas de um
promotor imobiliário. Antes de morrer de uma doença grave, ele registrou, por
uma razão nunca esclarecida, uma confissão em vídeo. Por uma razão ainda mais
obscura, esse “cassete” caiu nas mãos de um chefe do Partido Socialista,
Dominique Strauss-Khan, que o fez chegar indiretamente à imprensa.
As confissões desse
indivíduo não resultam em nenhuma sanção judicial, mas elas abrem uma caixa de
Pandora. A principal vítima dos sucessivos escândalos será o primeiro-ministro
Alain Juppé. Para proteger Chirac, ele assume sozinho todas as infrações penais.
O afastamento de Juppé deixa o caminho livre a Nicolas Sarkozy para tomar a
direção do partido gaullista.
Sarkozy explora
então a sua posição para fazer Jacques Chirac reintegrá-lo ao governo, apesar do
seu ódio recíproco. Ele acabou sendo ministro do Interior. Erro grave! Nesse
cargo, Sarkozy controla os governadores e utiliza a polícia política, a qual ele
utilizou para colocar os seus indicados nos principais setores da administração.
Ele também trata dos
assuntos referentes à Córsega. O governador Claude Érignac foi assassinado.
Embora ninguém tenha reivindicado a autoria do crime, o assassinato foi
imediatamente interpretado como um desafio lançado à República pelos
independentistas. Após uma longa caçada, a polícia conseguiu prender um suspeito
em fuga, Yvan Colonna, filho de um deputado socialista. Desprezando a presunção
de inocência, Nicolas Sarkozy anuncia a sua prisão acusando-o de ser o
assassino. É que a notícia é demasiado bela, a dois dias do referendo que o
ministro do Interior organiza na Córsega para modificar o estatuto da ilha.
Apesar de tudo, os eleitores rejeitam o projeto Sarkozy que, segundo alguns,
favorece os interesses mafiosos.
Mesmo que Yvan
Colonna posteriormente tenha sido declarado culpado, ele sempre proclamou a sua
inocência e não foi encontrada nenhuma prova material contra ele. Estranhamente,
o homem se refugiou no silêncio, preferindo ser condenado a revelar o que sabe.
Nós revelamos aqui que o governador Érignac não foi morto por nacionalistas, mas
sim abatido por um assassino a soldo, imediatamente enviado para Angola onde foi
contratado pelo grupo Elf como membro de seu corpo de segurança. O motivo do
crime estava precisamente ligado às funções anteriores de Érignac, responsável
pelas redes africanas de Charles Pasqua no Ministério da Cooperação. Quanto a
Yvan Colonna, é um amigo pessoal de Nicolas Sarkozy há décadas e seus filhos
frequentam-se mutuamente.
Explode um novo
escândalo: circulam falsas listagens que acusam mentirosamente várias
personalidades de esconderem contas bancárias em Luxemburgo, no banco
Clearstream. Dentre as personalidades acusadas, Nicolas Sarkozy. Ele se defende
apresentando uma queixa e da por entendido que seu rival de direita na eleição
presidencial, o então primeiro-ministro Dominique de Villepin, organizou essa
manobra. E não esconde sua intenção de colocá-lo atrás das grades.
Na realidade, as
falsas listagens foram postas em circulação por membros da Fundação
Franco-Americana, presidida por John Negroponte e administrada por Frank Wisner
Jr. O que os juízes ignoram e que nós revelamos aqui é que as listagens foram
fabricadas em Londres por um escritório comum da CIA e do MI6, Hakluyt & Co,
administrado também por Frank Wisner Jr.
Villepin defende-se
das acusações que lhe atribuem, mas é submetido a uma investigação e a uma
prisão domiciliar e, de fato, é afastado provisoriamente da vida política. O
caminho está livre pelo lado da direita para Nicolas Sarkozy.
Resta neutralizar as
candidaturas da oposição. As mensalidades de adesão ao Partido Socialista são
reduzidas a um nível simbólico, para atrair novos militantes. De repente,
milhares de jovens obtêm seu cartão do partido. Dentre eles, pelo menos dez mil
novos aderentes são, na realidade, militantes do Partido trotskista
“lambertista” (em referência ao nome do seu fundador, Pierre Lambert). Esta
pequena formação de extrema esquerda historicamente pôs-se a serviço da CIA
contra os comunistas stalinistas durante a Guerra Fria (ela é o equivalente do
SD/USA de Max Shatchman, que agrupou os neo-conservadores nos EUA). Não é a
primeira vez que os “lambertistas” se infiltram no Partido Socialista. Eles
anteriormente plantaram lá dois célebres agentes da CIA: Lionel Jospin (que se
tornou primeiro-ministro) e Jean-Christophe Cambadélis, o principal conselheiro
de Dominique Strauss-Kahn.
São organizadas
primárias no interior do Partido Socialista com a finalidade de designar seu
candidato à eleição presidencial. Duas personalidades participam da disputa:
Laurent Fabius e Ségolène Royal. Só o primeiro representa um perigo para Sarkozy.
Dominique Strauss-Kahn entra então na corrida com a missão de eliminar Fabius no
último momento. E o conseguirá graças aos votos dos militantes “lambertistas”
infiltrados, que não votarão nele, mas em Royal.
A operação foi
possível porque Strauss-Kahn, de origem judia marroquina, está há muito na folha
de pagamento dos Estados Unidos. Os franceses ignoram que ele dá aulas na
universidade americana de Stanford, onde foi contratado nada mais nada menos
pela Condoleezza Rice.
Imediatamente depois
de sua tomada de posse na presidência, Nicolas Sarkozy e Condoleezza Rice
agradecerão a Strauss-Kahn fazendo possível sua eleição para a direção do Fundo
Monetário Internacional.
PRIMEIROS DIAS
NO PALÁCIO DO ELISEU
Na noite do segundo
turno da eleição presidencial, quando os institutos de pesquisa anunciam a sua
provável vitória, Nicolas Sarkozy pronuncia um breve discurso à nação do seu QG
de campanha. Depois, ao contrário de todos os costumes, ele não vai à festa com
os militantes do seu partido, mas dirige-se ao Fouquet’s. O célebre restaurante
dos Campos Elíseos, que outrora era o ponto de encontro da “União corsa”, hoje é
propriedade do dono de cassinos Dominique Desseigne. Foi posto à disposição do
presidente eleito para receber seus amigos e os principais doadores de recursos
da sua campanha. Uma centena de convidados ali se acotovelam, os homens mais
ricos da França ombro a ombro com donos de cassinos.
Depois disso, o
presidente eleito se brinda com alguns dias de repouso bem merecidos. Um jet
Falcon-900 privado o leva para Malta, onde descansa no Paloma, um iate de 65
metros do seu amigo Vicent Bolloré, um milionário formado no Banco Rothschild.
Finalmente, Nicolas
Sarkozy toma posse como presidente da República Francesa. O primeiro decreto que
assina não é para proclamar uma anistia, mas para autorizar os cassinos dos seus
amigos Desseigne e Partouche a multiplicar as máquinas de caça-níqueis.
Sarkozy forma sua
equipe de trabalho e seu governo. Não é surpreendente encontrar ali um suspeito
proprietário de cassinos (o ministro da Juventude e Desporto) e o lobista dos
cassinos do amigo Desseigne (que se torna porta-voz do partido “gaullista”).
Nicolas Sarkozy
apóia-se principalmente em quatro homens:
- Claude Guéant,
secretário-geral da Presidência da República. É sócio-gerente do Banco
Rothschild.
- David Lévitte,
conselheiro diplomático. Filho do antigo diretor da Agência Judia. Foi
embaixador da França na ONU, até que foi afastado das suas funções por Chirac,
que o julgava demasiado próximo de George Bush.
- Alain Bauer, o
homem das sombras. Seu nome não aparece nos anuários. É o encarregado dos
serviços de inteligência. Neto do Grande Rabi de Lyon, antigo Grão-Mestre do
Grande Oriente da França (a principal loja maçônica francesa) e antigo nº. 2 da
National Security Agency estadunidense na Europa.
- Frank Wisner Jr.,
que então fora nomeado enviado especial do presidente Bush para a independência
de Kosovo, insiste em que Bernard Kouchner seja nomeado ministro de Relações
Exteriores com uma dupla missão: a independência de Kosovo e a liquidação da
política da França para o mundo árabe.
Kouchner, um judeu de origem báltica, começou
sua carreira participando na criação de uma ONG humanitária. Graças aos
financiamentos da National Endowment for Democracy, ele participou nas operações
de Zbigniew Brzezinski no Afeganistão, ao lado de Osama Bin Laden e dos irmãos
Karzai contra os soviéticos. Nos anos 90 podia ser encontrado junto a Alija
Izetbegoviç na Bosnia-Herzégovina. De 1999 a 2001 foi Alto Representante da ONU
em Kosovo.
Sob o controle do irmão mais novo do
presidente Hamid Karzaï, o Afeganistão tornou-se o primeiro produtor mundial de
papoula. O seu sumo é transformado ali em heroína e transportado pela US Air
Force para Campo Bondsteel (Kosovo). Lá, a droga passa para os homens de Haçim
Thaçi que se encarregam da distribuição, principalmente para a Europa e
eventualmente para os Estados Unidos. Os lucros são utilizados para financiar as
operações ilegais da CIA.
Karzai e Thaçi são
amigos pessoais de longa data de Bernard Kouchner, que certamente ignora suas
atividades criminosas apesar dos relatórios internacionais que lhes foram
consagrados.
Para completar seu
governo, Nicolas Sarkozy nomeia Christine Lagarde como ministra de Economia e
Finanças. Ela fez toda a sua carreira nos Estados Unidos, onde dirigiu o
prestigioso gabinete de juristas Baker & McKenzie. No seio do Center for
International & Strategic Studies de Dick Cheney, ela co-presidiu com Zbigniew
Brzezinski um grupo de trabalho que supervisionou as privatizações na Polônia.
Ela organizou um lobby intenso por conta da Lockheed Martin contra o construtor
de aviões francês Dassault.
Nova escapada
durante o Verão. Nicolas, Cecília e a babá de seus filhos vão de férias aos
Estados Unidos, em Wolfenboroo, perto da propriedade do presidente Bush. A
conta, desta vez, é paga por Robert F. Agostinelli, um banqueiro de negócios de
Nova Iorque, sionista e neo-conservador de pura cepa que expressa seus pontos de
vista em Commentary, a revista do American Jewish Committee.
O sucesso de Nicolas
beneficia o seu meio-irmão, Pierre-Olivier. Sob o nome americanizado de
“Oliver”, é nomeado por Frank Carlucci (que foi o nº. 2 da CIA depois de ter
sido recrutado por Frank Wisner Sr.), diretor de um novo fundo de investimento
do Grupo Carlyle (a sociedade comum de gestão de carteiras de ações dos Bush e
dos Bin Laden). Transformado no quinto negociante à nível mundial, ele
administra atualmente as principais contas dos fundos soberanos do Kuwait e de
Cingapura.
A taxa de
popularidade do presidente Sarkozy está em queda livre nas pesquisas. Um dos
seus conselheiros em comunicação, Jacques Séguéla (que também é assessor em
comunicação política da NED para diferentes operações da CIA na Europa
Oriental), aconselha desviar a atenção do público com novas “people stories”.
O anúncio do
divórcio de Cecília foi publicado pelo Libération, o jornal do seu amigo Edouard
de Rothschild, para cobrir os slogans dos manifestantes num dia de greve geral.
Pior ainda, o
assessor organizou um encontro com a artista e ex-modelo Carla Bruni. Alguns
dias mais tarde, sua ligação com o presidente é oficializada e a campanha de
mídia encobre novamente as críticas políticas. Algumas semanas mais tarde se
produz o terceiro casamento de Nicolas. Desta vez, ele escolhe como padrinhos
Mathilde Agostinelli (a esposa de Robert) e Nicolas Bazire, antigo chefe de
gabinete de Edouard Balladur, que se tornou sócio-gerente do Banco Rothschild.
Quando os franceses
abrirão os olhos para ver o que têm que fazer?
*
Analista político, fundador da Réseau Voltaire. Último livro
publicado, L´Effroyable imposture 2 (a remodelação do Oriente Próximo e a guerra
israelense contra o Líbano). |