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AET: Plano da Telefónica para Speedy sair da crise é ficção
Engenheiros questionam credibilidade da Anatel e defendem “uma ação que vai
desde intervenção, revisão de suas atribuições e até extinção”, caso Agência
libere venda do serviço de banda larga
A Associação dos Engenheiros de Telecomunicações (AET) enviou carta ao ministro
Hélio Costa (Comunicações), na última terça-feira (18), denunciando a intenção
da Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) de liberar a Telefónica para
retomar as vendas do Speedy, com base em um plano de melhorias que não apresenta
consistência técnica para garantir qualidade à prestação do serviço.
O presidente da entidade, Ruy Bottesi, também questionou a auditoria da Anatel
na concessionária, assinalando que a agência não está sendo “transparente” no
processo e “não abre as informações, nem para a imprensa e nem para as entidades
de defesa do consumidor”. A AET reivindicou ao ministro que a retomada das
vendas não seja permitida, até que a operadora mostre capacidade real de
recuperação do serviço.
“Acreditamos que os resultados operacionais de curtíssimo prazo (contidos no
plano) são insuficientes para tomada de decisão visando a retomada das vendas,
levando também em consideração a credibilidade do órgão regulador que não é
transparente com a sociedade, sendo merecedor de uma ação que vai desde
intervenção, revisão de suas atribuições e até mesmo de extinção”, diz o
documento.
CASO CRÔNICO
Segundo os engenheiros da AET, a agência reguladora padece com a falta de
credibilidade e deveria ser dirigida “por uma pessoa que entendesse de
telecomunicações e engenharia”. “A Anatel é um caso crônico. Continua não
cumprindo o seu papel primordial de fiscalização”, observou Ruy Bottesi.
Na carta ao ministro das Comunicações, a entidade argumentou que o plano de
melhorias da Telefónica, encaminhado à Comissão de Ciência e Tecnologia e
Comunicação e Informática (CCTCI) da Câmara dos Deputados no mês de junho, não
contém medidas efetivas que assegurem a continuidade do serviço sem novas panes.
A associação apontou que a operadora apresentou um plano com 80% de conteúdo
institucional e apenas 3% de abordagem técnica; que apresenta solução genérica
para melhoria do Speedy, em 180 dias; não contempla um parecer de médio e longo
prazo e não menciona a intenção de ampliar o percentual de garantia da
velocidade mínima para os clientes; e não assume compromissos, principalmente
com entidades de defesa do consumidor, para compensar os prejuízos causados pela
má prestação de serviços nos últimos dois anos.
“Atualmente não estamos tendo uma percepção de relevância na melhoria do
desempenho e performance do Serviço Speedy, que seja compatível com os níveis de
preços pagos pelos clientes, que ainda continuam recebendo como garantia os 10%
da velocidade contratada”, enfatizou.
A entidade sublinhou ainda que, para a liberação da retomada das vendas do
Speedy, “é fundamental que sejam tomadas providências de modo a garantir que o
cliente está de fato recebendo um serviço de qualidade, de acordo com o preço
pago”. Para os engenheiros da associação, o plano de melhorias não fornece
“informações suficientes sobre os sistemas” e o que a empresa vai fazer de fato.
“A nós parece mais uma forma de apagar o incêndio e evitar investimento de
grande porte, resolvendo o problema no curtíssimo prazo, mas sem uma solução de
médio e longo prazo”, ressaltou Ruy Bottesi. “Que a Telefónica não está
investindo na rede é nítido. Os próprios fornecedores da empresa testemunham
isso. O descaso é total com os investimentos em operação e manutenção, assim
como na expansão”, acrescentou o engenheiro, condenando a “cultura
organizacional” da empresa tem sido “extremamente prejudicial” ao Brasil.
WALTER FÉLIX E FERNANDA CALVI |