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Multinacionais
na América
Latina: a invasão do IDE
A explosão dos
Investimentos Diretos Estrangeiros (IDE), em especial na América Latina, é
um dos aspectos mais perniciosos da “globalização” neoliberal. Mais de 205
milhões de pobres e 79 milhões de indigentes é a realidade da região depois
de vinte
anos de abertura total às multinacionais e privatizações
CÉDRIC DURAND E ALEXIS
SALUDJIAN*
O período neoliberal está marcado por uma expansão espetacular das
multina-cionais na América Latina. Consequentemente, essas companhias
controlam na atualidade uma parte substancial das economias
latino-americanas e contribuem para incrementar a integração desses países
nas cadeias produtivas e financeiras mundiais.
A explosão dos Investimentos Diretos Estrangeiros (IDE) é um dos aspectos
mais espetaculares da globalização neoliberal. Entre 1980 e 2005, o estoque
de IDE no mundo se multiplicou por 18, e, na América Latina, por 24! Em
termos de estoques, em 2005, na América Latina eles representavam (frente a
5% em 1990) cerca de 10% do total mundial [dados da UNCTAD]. Além dos
paraísos fiscais do Caribe, o essencial da atividade das multinacionais na
América Latina se concentra no México, Brasil, e, em menor medida, no Chile,
Argentina, Venezuela e Colômbia.
Essencialmente, os investimentos nos países em desenvolvimento provêm dos
países ricos. Assim, o estoque de IDE na América Latina em 2002 procedia em
27% dos Estados Unidos e em 40% de países europeus. A amplitude e a rapidez
da progressão dos investimentos espanhóis no fim da década de 90 são
especialmente impressionantes, até o ponto de recordar uma reconquista.
Comprova-se também um aumento dos fluxos sul-sul de IDE, mas estes se
manifestam na América Latina, sobretudo, pelos fluxos intra-regionais
dominados pelo Brasil, México e Argentina; os investimentos chineses na
região são limitados, ao menos até 2005.
O controle dos recursos naturais é um dos principais motivos da presença das
multinacionais na América Latina. Com relação às estratégias de conquista do
mercado, antes dominado por setores como a indústria agro-alimentar e a
automobilística, a passagem dos anos 90 se manifesta pela explosão dos
investimentos em serviços, que representam na atualidade a metade do estoque
de IDE. Desenvolvem-se especialmente nas atividades de infraestrutura
(distribuição de água, eletricidade, gás e telecomunicações), nas atividades
bancárias e financeiras e no comércio. Finalmente, as denominadas
“estratégias eficientes” são importantes, com o desenvolvimento das
maquiadoras (têxtil, embalagem...) e outros setores de exportação, como [as
maquiadoras do setor] automobilístico no México, e um princípio de
desenvolvimento das exportações de serviços deslocalizados (centros de
chamadas, processamento de dados, indústria logística…).
CONTEXTO
FAVORÁVEL AOS IDE
As políticas derivadas do consenso de Washington desempenharam um papel
crucial no auge dos IDE. Em primeiro lugar, as políticas orçamentárias e
monetárias restritivas foram percebidas pelos meios de negócios
internacionais como uma garantia de estabilidade macroeconômica, e sobretudo
como uma limitação ao aumento dos salários. Por outra parte, a liberalização
das trocas comerciais permite às multinacionais utilizar plenamente as
vantagens relacionadas com sua implantação nos diferentes países,
especialmente ao facilitar a conexão internacional das cadeias produtivas.
Finalmente, as políticas de privatizações maciças das empresas públicas na
segunda metade dos anos 90 ofereceram às multinacionais extraordinárias
oportunidades de fazer negócios. A pacificação dos conflitos sociopolíticos
é outro elemento apreciado pelos investidores: o fim das ditaduras aportou,
ao menos por um tempo, uma legitimação democrática das regras favoráveis ao
mercado adotadas pelas novas equipes governamentais formadas essencialmente
nos Estados Unidos.
REFORÇO DAS GARANTIAS INTERNACIONAIS
Ao contrário do que ocorria no período anterior, as classes dirigentes
consideram os investimentos das multinacionais um mecanismo imprescindível
para o desenvolvimento. Um sintoma evidente dessa viragem é que as
expropriações, muito frequentes até então, desapareceram totalmente em
princípios da década de 80. Induzidos pelas instituições internacionais, os
governos dos países da periferia se comprometeram em dezenas de acordos
comerciais multilaterais, regionais ou bilaterais que incluíam cláusulas que
garantiam os direitos dos investidores. Desenvolveu-se a noção jurídica de
“expropriação indireta”; mobilizada especialmente nos acordos de
investimento com os Estados Unidos, esta categoria jurídica particularmente
perniciosa permite que as companhias estrangeiras “lesadas” por uma
modificação das condições da atividade econômica obtenham compensações! (1)
A evolução jurídica supranacional a favor dos IDE se soma com a
liberalização interna das leis sobre os investimentos estrangeiros. Os
governos levantaram a maioria das restrições quando entraram as
multinacionais e adotaram disposições que reforçavam os direitos de
propriedade. Assim, desde princípios dos anos 90, o essencial das
modificações da regulamentação sobre os IDE se fez a favor dos investidores.
Em 2005, aparece um começo de movimento contrário, devido às dinâmicas
políticas surgidas na América Latina: enquanto que 80% das modificações
relativas à regulação dos IDE efetuadas no mundo nesse ano eram favoráveis
às multinacionais, na América Latina, pelo contrário, 2/3 dos novos
elementos introduzidos vão no sentido de um maior controle ou uma maior
restrição dos IDE.
A CORRIDA DOS INVESTIDORES
Os países e os Estados de países federativos também se lançaram a uma
competição entre eles para atrair os investidores estrangeiros: isenções
fiscais, construção de infraestruturas ad hoc [isto é, com o objetivo de
beneficiar empreendimentos estrangeiros], adaptação da legislação a seu
pedido… nada era demasiado para os investidores estrangeiros. A instalação
da Renault no Estado brasileiro do Paraná no fim dos anos 90 foi acompanhada
de consideráveis vantagens concedidas pelo governo local: construção de
infraestruturas adequadas, terrenos equipados entregues gratuitamente,
financiamentos a preços reduzidos, diversas isenções fiscais de até 10 anos!
(2). Essas vantagens concedidas ao capital produtivo estrangeiro, obviamente
tinham um custo: quanto mais se acumulavam, mais se esfumavam os benefícios
líquidos que podiam esperar os países receptores. Ainda que nem todos os
países tiveram uma atitude tão ingênua: a China, por exemplo, que pode
pressionar com a imensidão do seu mercado, conseguiu em numerosos casos
impor-se às multinacionais que transferem as tecnologias. Não obstante, na
América Latina, por regra geral, existiu uma atitude de atração passiva que
foi desastrosa em muitos aspectos.
O IMPACTO DAS MULTINACIONAIS
1. O impacto socioeconômico em nível macro
Acreditando-se em certos economistas e centros de decisões políticas, a
América Latina estaria iniciando um novo ciclo estável de crescimento
econômico. A recuperação da economia argentina, da ordem de 8% de
crescimento anual do PIB desde 2003, seria o melhor exemplo. O Brasil e o
México, em menor escala, esperariam respectivamente 3,8 e 3,7% de
crescimento desde 2004. Lendo esses resultados, é difícil acreditar que
cinco anos antes toda a região tremia em razão da debacle argentina. Sem
antecipar o futuro, é certo que a década de 90 e princípios da de 2000
estiveram marcadas por um desenvolvimento econômico relativamente lento e
pela persistência de problemas sociais enormes. O desemprego massivo, em
primeiro lugar, já que a taxa de desocupação, já elevada em relação às
décadas anteriores, passou de 5,8% em 1990 para 11% em 2000, antes de descer
timidamente para 8,6% em 2006 (3).
Esse número, sem dúvida, não deixa de ser uma aproximação, já que o
trabalho informal em todas as suas formas afeta quase 50% da população ativa
latino-americana. Os dados relativos à pobreza completam o quadro. Apesar de
experimentarem um ligeiro retrocesso com respeito aos anos precedentes, a
pobreza e a indigência ainda afetam 40% da população do subcontinente, ou
seja, mais ou menos a mesma proporção de 1980!
Mais de 205 milhões de pobres e 79 milhões de indigentes é a realidade da
América Latina depois de vinte anos de abertura total às multinacionais.
Além disso, é a região menos igualitária do mundo.
2. As veias (sempre) abertas da América Latina
Além do impacto macroeconômico, alguns casos emblemáticos em nível micro
ilustram os problemas específicos que colocam a chegada das multinacionais:
exploração da vantagem competitiva dessas companhias à expensas de seus
competidores locais, de seus fornecedores, dos salários e dos consumidores;
alianças com os setores mais reacionários da sociedade; precarização das
relações trabalhistas em razão da privatização de atividades correspondentes
aos serviços públicos; contaminação permanente do meio ambiente e
desestruturação das comunidades indígenas… o livro negro da atividade das
multinacionais já é muito gordo e continua sendo escrito.
A PILHAGEM DA DISTRIBUIÇÃO E OS
BANCOS DO MÉXICO
Pobre México, na primeira linha para receber a expansão das multinacionais
dos Estados Unidos! O gigante Wal-Mart cruzou o Rio Grande em princípios dos
anos 90. Desafiando resistências populares como as que se dirigiram para
impedir a construção de um supermercado nas proximidades de uma escavação
arqueológica em Teotihuacan, esta multinacional se converteu na
distribuidora número um e marginalizou seus competidores locais. Esta
invasão brutal e poderosa no coração da economia mexicana se traduziu em um
duplo prejuízo (4): em primeiro lugar, uma diminuição de 20% nos salários do
setor entre 1994 e 2000, isto é, uma evolução pior que a de todos os demais
setores; e, por outro lado, numa forte subida das importações e um controle
crescente sobre os produtores locais que desembocou em um debilitamento do
tecido produtivo nacional.
O setor bancário mexicano constitui outro caso “de manual”. Durante os anos
90, a liberalização dos IDE permitiu aos bancos estrangeiros, principalmente
espanhóis (BBVA, Bancomer, Santander), britânicos (HSBC) e norte-americanos
(Citigroup), açambarcar a maioria dos bancos locais mexicanos: desde 2002,
mais de 90% dos ativos bancários estão controlados por companhias
estrangeiras, enquanto que não havia nenhum banco estrangeiro em 1994! O
resultado é ilustrativo: durante quase dez anos os créditos para a economia
têm sido muito escassos, o que influiu negativamente no desenvolvimento da
economia; os preços dos serviços bancários cobrados aos consumidores
mexicanos são várias vezes superiores aos que aplicam os bancos em seus
países de origem; finalmente, embora os bancos consigam lucros recordes, a
situação dos empregados se deteriora. Assim, em abril de 2007, o Banamex
(ex-banco público absorvido pelo CitiBank), anunciou um plano de
restruturação quando acabava de declarar um resultado recorde de quase 2
bilhões de dólares de lucros em 2006; esse plano inclui 4.000 demissões e a
“filialização” [esquartejamento de uma empresa em empresas menores] com
perdas salariais de até 30% e corte das garantias sociais para 31.000
pessoas (5).
PRECARIZAÇÃO E
IRRESPONSABILIDADE SOCIAL
A Telefónica se converteu em 2006 na primeira empresa mundial de
telecomunicações em termos de lucros (6 bilhões e 200 milhões de euros). O
caráter espetacular de sua expansão na América Latina é incomparável com o
caráter antissocial de suas práticas salariais: dez anos depois de lançar um
programa de formação para os jovens previstos como futuros representantes da
Telefónica, a empresa mantém suas jovens promessas com contratos precários,
horas extras ilegais sistemáticas, salários muito escassos e repressão
sindical frente às tentativas de reivindicar direitos (6). Na primeira linha
para beneficiar-se das privatizações, a multinacional também está na
primeira quanto ao desmantelamento das garantias sociais mínimas que
existiam nos antigos serviços públicos.
Outra fonte de estragos sociais é a assimetria fundamental entre as
companhias que operam em escala global e os trabalhadores e suas comunidades
que estão enraizadas em um território. Esta assimetria reside na faculdade
das multinacionais de saírem de uma maneira abrupta do negócio onde se
encontram sem fazer caso das populações, dos trabalhadores e às vezes sem
respeitar a legislação vigente. O caso do fechamento ilegal da fábrica de
pneumáticos Euskadi, em Jalisco, México, pela empresa alemã Continental, é
uma ilustração desta lógica. A 16 de dezembro de 2001, a direção da
Continental fechou a fábrica sem respeitar nenhum dos convênios internos da
empresa nem a legislação trabalhista mexicana. Durante mais de três anos, os
assalariados lutaram sem conseguir nada: greves, viagens à Europa para fazer
pressão na matriz, apelos à solidariedade internacional dos movimentos
sociais. Finalmente, em fevereiro de 2005, os trabalhadores ganharam a causa
e puderam relançar a empresa com um controle cooperativo majoritário (7).
DESTRUIÇÃO ECOLÓGICA E DESESTRUTURAÇÃO SOCIAL NOS
PROJETOS MINEIROS
As indústrias mineradoras são um dos setores primordiais de inserção das
economias latino-americanas nas redes econômicas controladas pelas
multinacionais. Isso não é nada novo: o pilhagem que seguiu à conquista já
tinha como objetivo principal a extração e exportação de ouro e prata. Tal
pilhagem constituiu um roubo massivo de riquezas e além disso um terrível
processo de destruição ecológica e humana que continua na atualidade. Um dos
conflitos atuais mais emblemáticos é em relação ao depósito de cobre de Río
Blanco, uma das jazidas de cobre mais importantes ainda não exploradas do
planeta, no norte do Peru. A empresa britânica Monterrico Metals, cujo
diretor geral atual não é outro senão o ex-embaixador da Grã Bretanha no
Peru! (8), pretende apropriar-se ilegalmente de terras das comunidades
indígenas. Escaldados pela triste sorte das cidades mineiras de Oroya e
Yanacocha, esses índios temem a contaminação de suas águas e suas terras, as
consequências para a saúde e o efeito destruidor na coesão de suas
comunidades: desigualdades, aniquilação de projetos autônomos, corrupção.
APOIO AOS PARAMILITARES COLOMBIANOS
A Colômbia ostenta a sinistra particularidade de ser o país em que se
concentram 90% dos assassinatos de sindicalistas no mundo: pelo menos 2.245
foram assassinados pelos paramilitares desde 1991! (9). Muitos deles foram
líderes sindicais em empresas de alimentos multinacionais (Coca Cola,
Bavaria, Nestlé), automobilísticas (Hyundai), mineradoras (Drummond e
AngloGold Ashanti) e grandes sociedades bananeiras (Chiquita, Dole e do
Monte) (10). Protegida pelo mutismo da Justiça colombiana, a cumplicidade
dessas companhias com os paramilitares de extrema direita está atualmente no
centro de vários processos judiciais em curso nos Estados Unidos. Em março
de 2007, a Chiquita (a ex-United Fruits) confessou que havia pago 1,7 milhão
de dólares por serviços de “segurança” (sic) às milícias de extrema direita
(11).
A SUPEREXPLORAÇÃO
DO TRABALHO
O desenvolvimento do México a partir das fábricas de montagem (maquiadoras)
se apresentou como uma solução econômica para o país no momento da entrada
no Nafta, em 1994. O número de fábricas desse tipo, que empregava uma mão de
obra pouco qualificada e amplamente feminina, cresceu rapidamente na
fronteira entre o México e os Estados Unidos. O fenômeno permitiu
desenvolver as exportações, mas não teve efeito sobre o desenvolvimento do
aparato produtivo do país; pelo contrário, contribuiu para aumentar a
polarização econômica e social. A ascensão da competição da China e dos
países da América central neste tipo de atividade demonstrou o caráter
efêmero dessa especialização. E o México já está se vendo obrigado a
oferecer ainda mais vantagens aos investidores para tentar atrair as
maquiadoras de segunda geração, correspondentes a atividades mais
sofisticadas (12). Em última instância, são os trabalhadores quem pagam o
preço desta competição entre os territórios, posto que estabelece uma
corrida pela baixa das condições de trabalho e salários.
Notas:
(1) Yannaca-Small, C. (2004), «Indirect expropriation and the right to
regulate in international investment law», OCDE Working papers on
international Investment , abril de 2004, 22 p.; UNCTAD (2005), «Investor-State
disputes arising from investment treaties: a review», UNCTAD Series on
International Investment Policies for Development , 106 p. (5)
(2) Jelson Oliveira, BRÉSIL - Renault et la réforme agraire, Diffusion d’Informations
sur l’Amérique Latine - DIAL , 2558, 16 de mayo de 2002.
(3) CEPAL, Estudio Económico , 2002, 2003, 2005 e 2007.
(4) C. Durand (2006), Institutions et impact des IDE dans les pays en
développement: le secteur de la grande distribution au Mexique, Institutions,
développement économique et transition , Séptimas jornadas científicas de la
red «Analyse Economique et Développement de l’AUF», Paris, França.
(5) Despidos masivos en Banamex, pese a altas ganancias en el país, La
Jornada , 30 de abril de 2007.
(6) CIOSL, Perú: Carta de CIOSL a la ministra de Trabajo, 19 de Septiembre
de 2006.
(7) Erika Arriaga, Reabre operaciones planta de Euzkadi en Jalisco, La
Jornada , México, 26 de febrero de 2005; Carolina Gómez Mena, «Festeja el
sindicato de Euzkadi 72 años de existencia», La Jornada , México, 22 de
julio de 2007.
(8) Informação publicada no site da companhia:
www.monterrico.co.uk.
(9) Amnistía Internacional, Colombia: Homicidios, detenciones arbitrarias y
amenazas de muerte: la realidad del sindicalismo en Colombia, informe AMR
23/001/2007, 3 de Julio de 2007.
(10) Benito Pérez, «Ces syndicalistes assassinés qui hantent les
multinationales », Le Courrier , Ginebra, 28 de julio de 2007.
(11) Christina Kearney, Colombians sue banana producer for funding
guerrillas, Reuters , 19 de Julio de 2007.
(12) World Investment Report, UNCTAD, 2004 e 2007.
* Cédric Durand é economista e
pesquisador do Centre d’Économie de l’Université Paris-Nord (ParisXIII),
Centre d’études des modes d’industri- alisation (CEMI) e École des Hautes
Études en Sciences Sociales (EHESS).
* Alexis Saludjian é economista, pesquisador do Centre d’Économie de l’Université
Paris-Nord (ParisXIII), membro do Groupe de Recherche sur l’Etat, l’Internationalisation
des Techniques et le Développement (GREITD) e professor adjunto do Instituto
de Economia da UFRJ (IE-UFRJ). |