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Assembléia instala a CPI para investigar Yeda Crusius
A Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul
instalou, na quarta-feira, a CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) para
investigar o envolvimento da governadora Yeda Crusius (PSDB) na fraude do Detran.
A comissão foi criada a partir da assinatura de 39 deputados, após o Ministério
Público Federal (MPF) protocolar ação por improbidade administrativa contra a
governadora e mais oito colaboradores, no dia 5 de agosto.
Composta por 12 titulares e 12 suplentes,
indicados pelas bancadas, a comissão terá a deputada Stela Farias (PT) e o
parlamentar Coffy Rodrigues (PSDB) como presidente e relator, respectivamente. O
deputado Gilberto Capoani (PMDB) será o vice-presidente e o prazo para
apresentação do relatório é de 120 dias, prorrogáveis por mais 60.
Yeda Crusius é acusada de participar de um
esquema de fraudes no Detran, investigado pela Operação Rodin, da Polícia
Federal (PF), que causou o desvio de aproximadamente R$ 44 milhões dos cofres
públicos por meio de contratos de prestação de serviços da Fundação de Apoio à
Tecnologia e Ciência (Fatec) e Fundação para o Desenvolvimento e Aperfeiçoamento
da Educação e da Cultura (Fundae) para o órgão.
A situação da governadora ficou insustentável
depois da divulgação das gravações telefônicas mostrando conversas entre o
representante do governo gaúcho em Brasília, Marcelo Cavalcante, e Lair Ferst,
réu na Operação Rodin, ambos coordenadores da campanha para o governo do Estado,
em 2006. Os diálogos indicam o uso de caixa dois.
Nas conversas, Marcelo Cavalcante e Lair Fesrt
revelam que Yeda Crusius sabia de tudo o que ocorreu durante sua campanha e
também sobre a fraude no Detran. Além disso, que a governadora também teria
recebido R$ 250 mil para completar o pagamento da casa que ela comprou, por R$ 1
milhão. No contrato de compra do imóvel, porém, consta o valor de R$ 750 mil.
Segundo Lair Ferst, os R$ 250 mil saíram de um
total de R$ 400 mil doados por duas empresas fumageiras de Santa Cruz do Sul, a
Alliance One e a CTA, à campanha da governadora, uma semana depois da eleição.
Em outro diálogo, Marcelo Cavalcante fala da doação de uma empresa de São Paulo,
SP Alimentação, sem registro oficial na Justiça Eleitoral. A empresa foi
denunciada pelo MPF no Rio Grande do Sul por desvio de R$ 5,6 milhões no
fornecimento de merenda escolar para a prefeitura de Canoas.
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