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Desembargador que perseguiu juíza para
aliviar Dantas enviou US$ 500 mil ao exterior, diz PF
A Polícia Federal concluiu o inquérito que envolve o desembargador
aposentado Manoel Carpena Amorim, ex-corregedor-geral do Tribunal de Justiça
do Rio, com um esquema internacional de lavagem de dinheiro. Segundo matéria
publicada na edição do Globo de domingo, documentos apreendidos na casa de
um casal de doleiros revelaram que o magistrado criou duas empresas em
paraísos fiscais para camuflar depósitos estimados em US$ 500 mil em contas
de bancos da Suíça e do Principado de Liechtenstein.
O desembargador alegou nunca ter enviado qualquer quantia para contas
bancárias em paraísos fiscais. O ex-corregedor-geral admitiu, no entanto,
ter pedido ao casal para abrir as duas contas, pois segundo disse planejava
morar em Portugal após deixar o Judiciário, por ter dupla cidadania.
Como corregedor, Carpena foi quem abriu processo disciplinar contra a juíza
Márcia Cunha, da 2ª Vara Empresarial, questionando-a pela liminar que
permitiu à Previ e outros fundos de pensão retirar o controle da Brasil
Telecom das mãos do grupo Opportunity, de Daniel Dantas, em 2005. Por
contrariar os interesses de Daniel Dantas, além do processo de Carpena, a
juíza sofreu uma violenta perseguição, incluindo ameaças e uma tentativa de
suborno. Segundo Márcia Cunha, Daniel Dantas, através do lobista Eduardo
Raschkovsky, ofereceu um cargo ao marido da juíza na equipe de advogados que
defendem o dono do Opportunity.
De 2003 a 2004, Raschkovsky foi sócio de Marlene de Souza Carpena Amorim,
mulher do então corregedor, e de pelo menos dois doleiros, na empresa
imobiliária Ocean Coast. O lobista é acusado de vender sentenças no Tribunal
de Justiça do Rio usando a sua amizade com desembargadores do tribunal.
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