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Para AET, “suspeita de fraude” no balanço
de
2008 quem tem que esclarecer é a Telefónica
Em
resposta ao convite feito pela Comissão de Ciência e Tecnologia da Câmara
dos Deputados para participar de uma audiência pública “com o objetivo de
discutir a acusação de fraude no balanço de 2008 da Telefónica”, a AET
(Associação dos Engenheiros de Telecomunicações afirmou que “em momento
algum a AET formalizou acusação da concessionária Telefônica (Telesp) ter
fraudado o balanço de 2008, mas sim levantou para as autoridades competentes
(CVM, CFC e Anatel), e imprensa em geral, a necessidade de realizar uma
auditoria nos balancetes, livro razão e livro diário visando comprovação dos
R$ 2,34 bilhões investidos na rede de telefonia fixa que faz parte da
concessão”.
Segundo a entidade, “na carta encaminhada para a SEC (U.S. Securities &
Exchange Commission) foi utilizado o termo “suspicions of fraud” uma vez que
esse órgão é sensível a este tipo de solicitação de averiguação quando
envolve interesses de acionistas, tanto público como privado”.
A diretoria da AET, segundo o presidente da entidade, Ruy Bottesi, está
interessada em “obter informações detalhadas sobre os níveis de
investimentos que consta do Relatório de Administração 2008 da referida
concessionária, bem como qual a relação com o empréstimo de R$ 2 bilhões
liberado em outubro de 2007 pelo BNDES e, consequentemente, onde estão os R$
26 bilhões investidos em 10 anos de operação no estado de São Paulo”.
“As informações existentes no Balanço 2008 da referida concessionária não
comprovam que os referidos investimentos foram de fato realizados e
incorporados ao patrimônio da empresa. Acreditamos que é muito mais fácil a
concessionária abrir as informações para a sociedade do que criar esse clima
de desconfiança e controvérsias entre a opinião pública, acionistas e
governo”, disse Bottesi.
“Em nosso entendimento, todo e qualquer serviço operado e prestado por uma
concessionária deveria ser visto como obrigação de prestação de serviço
público, com metas de universalização e qualidade, para evitar que a
concessionária preste um mau serviço, como é o caso atual da Telefônica
(Telesp) operando o Speedy. As inúmeras reclamações junto aos órgãos de
defesa do consumidor são indicadores que mostram que tem algo errado nas
relações da concessionária Telefônica (Telesp) com o usuário do serviço
público, e que precisa ser analisado com mais atenção pela Anatel para rever
o modelo construído ao longo de 10 anos”, destacou a entidade na carta à
comissão da Câmara.
A entidade denuncia as pressões e tentativas de intimidação feitas pela
empresa espanhola “através de recente notificação ExtraJudicial (...)
visando a desqualificação da entidade e obtenção de retratação no curto
prazo”.
“Apesar da postura ameaçadora da Telefônica (Telesp), que tem obrigações
contratuais de prestar contas à sociedade como empresa concessionária,
informamos a Vossa Excelência que temos interesse em participar da referida
Audiência Pública, que foi adiada, para dar nossos esclarecimentos e
contribuições para tornar público o assunto, porém ressaltando que estamos
preocupados com futuras retaliações por parte do Grupo Telefônica junto a
esta entidade, face o enorme poder econômico que o grupo possui e exerce”,
diz a AET em resposta à carta recebida do presidente da Comissão de Ciência
e Tecnologia, Comunicação e Informática, deputado Eduardo Gomes (PSDB-TO).
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