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Serra visita o chefão da “Veja”
ALTAMIRO BORGES
O jornal O
Estado de S.Paulo noticiou nesta semana que o governador José Serra, que trava
uma guerra fratricida para ser o presidenciável tucano, fez uma visita de
cortesia ao amigo Roberto Civita, o chefão da revista Veja. Não há maiores
detalhes sobre o encontro, como sempre dos mais sigilosos. Mas dá para se
imaginar o que rolou na conversa amistosa... e coisa boa não foi!
Talvez o
grão-tucano tenha implorado o apoio na batalha sucessória da Editora Abril, a
poderosa corporação midiática que edita a Veja – principal palanque da oposição
direitista e hidrófoba ao governo Lula. Conhecido por suas táticas sujas e
desleais, talvez José Serra também tenha repassado mais algumas intrigas contra
seus adversários, seja Dilma Rousseff ou mesmo o tucano Aécio Neves.
Generosa ajuda
financeira
Já Roberto
Civita talvez tenha aproveitado a cordial visita para agradecer a generosa ajuda
que o governo paulista tem dado à sua editora. Nos últimos anos, José Serra
assinou vários contratos de compra de publicações do Grupo Abril, a maioria
deles sem licitação pública. Num dos mais recentes, os cofres do Estado foram
saqueados na aquisição de 220 mil assinaturas da revista Nova Escola, o que
injetou R$ 3,7 bilhões nos cofres da famíglia Civita.
Esta generosa
ajuda, feita com dinheiro público, está sendo questionada pelo Ministério
Público Estadual. Em setembro, ele acolheu representação do deputado Ivan
Valente (PSOL) e abriu o inquérito civil número 249 para apurar as
irregularidades nos contratos firmados entre os amigos Serra e Roberto Civita.
Segundo levantamento do parlamentar, “cada vez mais, esta editora ocupa espaço
nas escolas de São Paulo. Isto totaliza, hoje, cerca de R$ 10 milhões de
recursos públicos destinados a esta instituição privada, considerando apenas o
segundo semestre de 2008”.
Relações
promíscuas
Além da
bondade financeira, o presidenciável tucano está cada vez mais afiado com o
discurso neoliberal da famíglia Civita. Para espantar os fantasmas do passado,
ele assumiu de vez a sua postura autoritária e elitista – bem ao gosto dos
editores golpistas da Veja. Talvez, Serra tente conquistar a simpatia que goza
outro serviçal tucano, o ex-presidente FHC. No artigo “O jogo do milhão”,
publicado na revista Carta Capital de março de 2002, o jornalista Bob Fernandes,
revelou a que nível chega essa promiscuidade. Vale a pena reproduzir um trecho
da elucidativa matéria:
“Para que se
entenda qual é a relação entre poderes constituídos no Brasil, vale uma rápida
visita ao gabinete de Civita, no 24º andar do número 7.221, Marginal Pinheiros,
São Paulo. O edifício é dos tais inteligentes. Monumental, debruça-se sobre o
fétido Rio Pinheiros, uma espécie de divisa entre o primeiro e o quarto mundos:
a favela do Jaguaré não muito distante da Abril, a meio caminho da Editora
Globo... A mesa de Civita fica diante do aparador. Sobre ele, fotos. A mulher,
os filhos, a família. Além dos Civita, mais uma, só mais uma foto. De Fernando
Henrique Cardoso.
“Por mais de
uma vez, a mais de um amigo, Civita explicou: ‘Pensam que a Abril apóia o
programa de governo do Fernando Henrique. A questão está mal colocada. Não é a
Abril que apóia o programa do Fernando Henrique. É o Fernando Henrique quem
apóia o programa de governo da Abril”.
* Jornalista, membro do
Comitê Central do PCdoB, autor do livro “Sindicalismo, resistência e
alternativas” (Editora Anita Garibaldi).
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