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Polícia investiga fraude no Detran de SP
A Secretaria de Segurança Pública, através da
Polícia Civil, está investigando um esquema de fraudes no Detran de São
Paulo que pode ter dado um prejuízo de R$ 40 milhões em pagamentos indevidos
a empresas contratadas para o serviço de emplacamento de veículos. A
investigação foi aberta após denúncia do presidente da Associação dos
Fabricantes de Placas de Automóveis, Hélio Rabello Passos Junior.
As irregularidades envolvem as empresas Cordeiro
Lopes e Centersystem, que assinaram contratos com o Detran em 2006 depois de
vencerem licitação oferecendo um suspeito “menor preço”. As empresas
deveriam fornecer a placa comum por R$ 2,2 em São Paulo (Centersystem) e R$
4,5 no restante do Estado (Cordeiro Lopes), valores que de acordo com Hélio
Passos Junior estavam abaixo do preço de custo fixado por laudo da
Universidade de São Paulo (USP). Em depoimento na Corregedoria da Polícia
Civil, o empresário assinalou que as empresas só poderiam garantir tais
preços através de fraude na prestação do serviço. Ele enumerou 14 tipos de
fraudes, sendo que a principal foi a medição inflada artificialmente.
Passos conta que insistiu muito para que as
irregularidades fossem apuradas. Ele diz que fez a denúncia ao então diretor
do Detran, delegado Ruy Estanislau Silveira Mello. “Mas nada foi feito. O
Detran decidiu prorrogar tais contratos, contrariando novamente os
princípios da legalidade, moralidade, impessoalidade e eficiência”,
declarou.
O esquema era operacionalizado nas Ciretrans
(Circunscrições Regionais de Trânsito) de São Paulo, que enviavam todo mês
ao Detran um documento atestando que a empresa teria emplacado um número
maior de carros do que realmente havia efetuado. A Divisão de Administração
do Detran fazia o pagamento sem confrontar a prestação de contas das
empresas com os registros de veículos emplacados. A fraude constava de uma
falsa medição dos serviços contratados, números que chegavam até 200% a
mais.
A Centersystem recebeu R$ 9 milhões pelos
supostos serviços de janeiro de 2008 a julho deste ano e a Cordeiro, R$ 64,8
milhões. Um exemplo da fraude foi constatado na Ciretran de Osasco, quando o
delegado Gilberto Barbosa da Silva, logo após ter assumido o cargo, foi
conferir a prestação de contas da Cordeiro Lopes. A empresa dizia ter
direito a receber R$ 277,7 mil pelos serviços de lacração em junho,
referentes a 13.590 veículos emplacados. No entanto, a Ciretran de Osasco
expediu somente 4.007 documentos para lacração.
Ao depor na Corregedoria da Polícia Civil, Vilma
Pereira Araújo, dona oficial da Cordeiro Lopes, disse que “nenhuma cobrança
efetuada pela Cordeiro, hoje tida a mais, foi feita sem a ciência do
Detran”.
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