Lula: o Brasil não reconhece ‘eleição’ armada
por golpistas
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva reafirmou
no último domingo, em entrevista coletiva
realizada em Portugal, que “não tem nada para
repensar em relação a Honduras e que o Brasil
não reconhecerá o resultado das eleições deste
domingo”. “O Brasil manterá a posição porque não
é possível aceitar um golpe, seja militar ou
disfarçado de civil como foi o de Honduras”,
afirmou.
Na avaliação do presidente, o reconhecimento de
uma eleição realizada sob o comando de um
“governo golpista” pode servir de incentivo para
novos golpes. Para Lula, a posição do Brasil em
não reconhecer a farsa eleitoral serve de alerta
para outros países. “A gente precisa firmar
convicção sobre algumas coisas, porque isso
serve de alerta para alguns aventureiros”,
enfatizou.
As afirmações em defesa de Zelaya foram feitas
pelo presidente Lula na 19ª Cúpula
Ibero-Americana que se reuniu na cidade de
Estoril, situada a 30 quilômetros da capital
portuguesa. A chanceler do governo deposto de
Honduras, Patricia Rodas, apresentou na reunião
um relatório da situação em seu país. A maioria
dos países, seguiu na mesma linha defendida pelo
Brasil e antecipou que não reconhecerá os
resultados.
Segundo Lula, o Brasil assim como os demais
países com democracia consolidada “devem servir
de referência ao apoiar o resultado das urnas
que elegeu o presidente deposto Manuel Zelaya”.
“Se os países que podem dar orientações, que
podem fazer gestos e dizer: ‘não repitam mais
isso’. Se os países não fazem, daqui a pouco a
gente não sabe onde pode ter mais um golpe”,
avaliou Lula. “Está fora de questão reconhecer o
governo de [Porfírio] Lobo”, disse Lula na
terça-feira, em Lisboa. "Não, não, não, não.
Peremptoriamente não", reafirmou.
O assessor para Assuntos Internacionais da
Presidência da República, Marco Aurélio Garcia,
respondeu à crítica do presidente da Costa Rica,
Oscar Arias, segundo a qual o Brasil apoiou as
eleições iranianas que, de acordo com ele, eram
consideradas suspeitas, mas resiste em
reconhecer a encenação golpista em Honduras.
“Essa comparação, além de indelicada, é
improcedente. As eleições no Irã foram
convocadas pelo governo do Irã sobre o qual não
havia nenhuma contestação. As eleições em
Honduras foram convocadas por um governo
golpista. Se quiser fazer comparação, o
presidente Arias deve procurar um exemplo mais
consistente”, disse Garcia.