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Trens se chocam
pela primeira vez em 35 anos do Metrô de São Paulo
“Felizmente o
trem estava no modo manual, que tem velocidade máxima de 20 quilômetros por
hora”, afirmou diretor do Sindicato dos Metroviários
Na
madrugada da quarta-feira, dia 25, uma colisão entre dois trens do Metropolitano
de São Paulo deixou um dos condutores feridos. Segundo o Sindicato dos
Metroviários, as composições bateram depois do encerramento da operação, durante
manobras entre as estações Ana Rosa e Vila Mariana, na Linha 1-Azul
(Tucuruvi-Jabaquara).
O condutor ficou preso nas ferragens, machucou o joelho, mas teve apenas
ferimentos leves. “Felizmente o trem estava no modo manual, que tem velocidade
máxima de 20 quilômetros por hora”, afirmou ao HP o diretor de Comunicação do
Sindicato, Benedito Barbosa (Benê).
Benê explicou que um dos trens estava saindo da garagem e o outro vinha na Linha
Azul. Por alguma razão ainda não explicada pelo Metrô, as composições entraram
em “Código Zero”, que significa velocidade zero. Pararam em frente a um
cruzamento e saíram do automático.
Estando cada um dentro de um túnel, os condutores não tinham como ver o outro
que vinha na direção oposta e pediram autorização para a Central para
prosseguir. O diretor de Comunicação do sindicato conta que o Metrô informou ter
dado a autorização apenas a um dos trens, mas os dois condutores receberam o
sinal para avançar.
O sindicalista questiona a manutenção dos equipamentos. “Os funcionários do
Metrô têm trabalhado com um equipamento de comunicação com mais de 30 anos”,
denunciou Benedito Barbosa. “Hoje se pode falar em tempo real com o outro lado
do mundo, mas os metroviários têm dificuldade de se comunicar com a estação do
lado. Se faz muita publicidade sobre o Metrô”, disse.
Essa é a primeira vez na história do Metrô de São Paulo que ocorre um choque
entre trens. “Isso nunca tinha acontecido”, afirmou o sindicalista. E os
problemas neste transporte se acumulam. Só este ano, já aconteceram pelo menos
17 falhas. Desde janeiro, focos de incêndio, falhas de sinalização diversas,
falha no fechamento das portas, falha elétrica e problemas na tração dos trens
foram registrados.
Menos de 32 horas depois da colisão, uma passageira gravou em vídeo um vagão
circulando de portas abertas. Indignada, Glaucy Rodrigues filmou com seu celular
a composição circulando lotada entre as estações Luz e Ana Rosa, da Linha
1-Azul, com as portas abertas. Entre os passageiros e os trilhos, apenas uma
fita amarela na porta.
Com todas essas graves ocorrências, o governo paulista ainda diz que investe na
manutenção dos trens e que “o alto padrão do serviço prestado em São Paulo” é
“considerado um dos melhores do mundo”. |