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Dívida pública deve
chegar, em 2010, a 100%
do PIB nos 30 países mais ricos, afirma OCDE
A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) alerta
que os 30 países mais industrializados devem ter suas dívidas públicas
alcançando os 100% do PIB no ano de 2010, o que significa cerca do dobro do
que ocorria 20 anos atrás.
Funcionário da agência Moody’s, Jaime Reusche, fez um levantamento dando
conta de que a dívida do conjunto dos países deve crescer 45% ou US$ 15.3
trilhões de 2007 a 2010. Chegando a um total de US$ 49 trilhões, sendo que
os sete países mais ricos se responsabilizam por 3/4 deste endividamento,
US$ 36,7 trilhões, pois “suas contas foram as mais duramente atingidas pela
crise”.
O Japão deve chegar a 2010 com a dívida pública em torno de 200% do PIB; os
EUA, que em 2008 tinha uma dívida total (federal mais estados e municípios)
de 70,2% das riquezas produzidas no ano corrente, deve chegar a 2010 com 98%
do PIB comprometido. A OECD aponta que a Itália deve apresentar 127,3% e a
Grécia 111,8% de endividamento frente ao PIB.
A economista Cinzia Alcidi do Centro de Estudos de Política Econômica de
Bruxelas declara: “Uma dívida de 100% do PIB significa que tudo o que for
produzido no curso do ano deve ir para reembolso dos credores” e questiona:
“Os governos estão posicio-nados para realizar isso?”.
O “receio”, como diz matéria publicada no jornal francês Le Monde é que “se
os mercados financeiros começarem a duvidar da habilidade dos países de
pagarem o que devem, estes poderiam ficar sem os instrumentos de
endividamento oficiais – como títulos do tesouro – o que privaria os países
de dinheiro novo”.
“Se a dívida continua a crescer, não é difícil imaginar países com
dificuldade de assegurar seus financiamentos”, afirma Jean Pisani-Ferry do
Centro de Estudos Bruegel com sede em Bruxelas.
Outros economistas alertam que governos altamente endividados podem ainda
conseguir créditos em situações críticas porém a taxas de juros mais
elevadas aumentando o peso da dívida dos governos junto aos bancos.
Mesmo os agentes dos bancos já reconhecem como é o caso do economista Daniel
Fermon do banco francês Societé Generale que “em caso extremo” a explosão da
dívida pode provocar uma nova onda recessiva. |