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Agricultores ocupam centro de Madri exigindo ação de governo contra queda nos
rendimentos
No sábado passado, 21 de novembro, Madri foi sacudida por uma manifestação de
protesto de agricultores espanhóis que paralisou o centro da cidade.
Os agricultores denunciavam que o governo não investe na agricultura, que os
preços de seus produtos são muito baixos e exigiam que o governo tomasse medidas
de apoio ao setor para gerar empregos.
As entidades responsáveis pela organização do protesto – ASAJA, COAG e UPA -
afirmaram que a queda dos rendimentos dos produtores foi de 26% entre 2003 e
2008 enquanto os custos de produção aumentaram 34% no mesmo período, o que
significou a redução de 124 mil postos de trabalho no campo.
Os agricultores responsabilizaram a política monopolista das grandes cadeias de
distribuição pelo alto custo dos alimentos ao consumidor. “Uma couve que eu
vendo por 20 ou 30 centavos o consumidor paga 1,5 euros no supermercado”,
afirmou Fernando Ambros, dirigente de uma cooperativa agrícola do sul da
Espanha.
Enquanto o país se desmancha, se descoesiona, imerso na maior crise econômica
que já viveu, o governo espanhol finge que enfrenta a crise, conclama a
população “a ser otimista” para manter os benefícios aos grandes bancos e
algumas empresas mo-nopolistas.
O chefe do governo foi enfático ao afirmar que “a retomada do crescimento já
chegou na Espanha”. Na Espanha? Com uma redução de 0,3% em seu crescimento no
ultimo trimestre depois mais de um ano de retração econômica e redução do PIB?
A ministra da economia, Elena Salgado, vai mais longe e diz que “ninguém duvida
que a economia vai crescer em 2010 e com mais força ainda em 2011”. E expõe com
grande cinismo sua essência neoliberal: “ De agora em diante é necessário
introduzir elementos de flexibilidade como a redução da jornada de trabalho e
dos salários nas negociações entre patrões e empregados”.
Para essa ministra, que se danem os empregos e os trabalhadores. E a população
espanhola tem que ser otimista e acreditar que há uma luz no fim do túnel...
pois ela e o governo estão enfrentando a crise...
Já a ideia do chefe do governo, Zapatero, é “criar uma situação estável que
acompanhe os esforços de internacionalização e modernização das empresas”, que é
como ele chama os monopólios.
O discurso de con-clamação para que a população seja otimista acompanhou o
a-núncio na sexta, 27, das medidas “para mudar o modelo do crescimento
econômico, para tornar a economia sustentável”, o que não passa de conversa
fiada para inglês ver e para espanhol não ver.
Investimento nas indústrias espanholas? Na agricultura? No fortalecimento do
mercado interno? Na geração do volume necessário de empregos? Na valorização e
recuperação dos salários? No desenvolvimento do país? Sobre isso o pacote nada
fala. Mas desde quando Elena Salgado quer saber desses problemas? As medidas não
são de fato para combater a crise mas para assegurar grandes interesses de muito
poucos.
Vinte por cento da população ativa do país está desempregada, segundo
estatísticas oficias, nem sempre confiáveis pelo excesso de maquiagem, “com uma
forte tendência a continuar crescendo em 2010”, afirmou em Madri Joaquim Alumnia,
Comissário Europeu para os negócios econômicos, “pois as reformas estruturais
são inevitáveis na Espanha”.
ROSANITA
CAMPOS |