PSDB
deveria ter investigado Yeda e não fez, lembra Maia
Presidente
do Dem protesta contra tucanos que atacaram e abandonaram Roberto Arruda
Nós, aqui, leitores, até que queríamos tratar de
outras coisas e deixar o Arruda e assemelhados para a polícia – que é a
instituição apropriada para tratar de privatizadores, vestais de bordel,
falsários, chupins de orçamento, vaselino-vigaristas, servo-banquistas,
cleptocratas, camareiras do neoliberalismo e da neo-estupidez & outros
ladrões.
Porém, depois da performance do PSDB no caso,
não resistimos. Como não somos radicais, não adotaremos como premissa a
conclusão científica de alguns de nossos leitores, segundo os quais “a
diferença entre o Arruda e o Serra é a careca”. Mas todo mundo sabe que
Arruda era ex-tucano e não ex-pefelista. E, pelo número de assinaturas da
“Veja” que ele fez o governo do DF comprar (passou R$ 400 mil para os
Civita), até que essa conclusão de alguns leitores parece mesmo merecer os
encômios destinados à mais alta ciência.
Arruda saiu do PSDB depois da fraude do painel
de votação do Senado. Mas, temos de reconhecer, continuou o tucano de
sempre. Aliás, um verdadeiro submarino tucano dentro do córrego ex-pefelista.
Aí estão o Ronaldo Caiado e o Demóstenes que não nos deixam mentir: querem
exterminar o Arruda do Dem, como o velho Detefon exterminava insetos das
casas, não pelos malfeitos agora revelados pela PF, mas porque, em Goiás,
Arruda estava bancando o Marconi Perilo.
O presidente do Dem, deputado Rodrigo Maia, no
entanto, ficou muito escandalizado com o abandono do PSDB ao correligionário
que seu partido fez o favor de abrigar na hora ingrata que sucede à
descoberta de uma fraude.
Lembrou ele que a direção nacional do Dem
“foi solidária com a crise que passa até hoje o PSDB no Rio Grande do Sul e
não fez nenhum julgamento”.
Uma declaração bastante interessante. Por
coincidência, a operação da Polícia Federal que investiga o roubo aos
esgotos (não é brincadeira, leitor) em todo o Rio Grande do Sul chama-se,
precisamente, “Operação Solidária”. Segundo o superintendente da PF em Porto
Alegre, Ildo Gasparetto, nas obras de esgotos há suspeita de fraudes que
chegam a R$ 300 milhões – até agora, segundo a presidente da CPI que
investiga o governo Crusius, deputada Stela Farias, já existiam malversações
em torno de R$ 340 milhões, incluindo as constatadas pela “Operação Rodin”
(o nome deve ser porque Rodin esculpiu a “Porta do Inferno”), que, ao
investigar o Detran-RS, encontrou fraudes de R$ 44 milhões. E não vamos
falar da famosa casa da governadora ou do enxoval comprado com dinheiro
público, que isso é bagatela, perto do resto.
No entanto, como disse o deputado Maia, o Dem
ficou, até agora, calado – e apoiando a governadora gaúcha. Podem ter sido –
e certamente foram – omissos, mas, pelo menos, foram mais discretos do que
Serra e seus colegas tucanos, que assinaram documento avalizando a “longa
trajetória política, construída com competência e respeito a princípios
éticos” da governadora, e garantindo que as descobertas da PF são apenas
para colocar “em segundo plano a importante obra administrativa do Governo
Estadual, que vem buscando, com extrema seriedade, o equilíbrio das contas
públicas e o resgate da credibilidade interna e externa do Estado”.
Naturalmente: a governadora é do PSDB, e não do Dem, ou qualquer outro
partido.
Já no Distrito Federal, Arruda (quem mandou ser
puxa-saco?) e o Dem que paguem o pato sozinhos, apesar do próprio presidente
do PSDB-DF, Márcio Machado, secretário de Obras e candidato ao Senado na
chapa de Arruda, ser um dos envolvidos – e com detalhes – nos depoimentos
colhidos pela PF. No entanto, o presidente nacional do PSDB, Sérgio Guerra,
não quis saber de investigar o correligionário. Disse que o PSDB se retirava
do governo do DF porque “os fatos são gravíssimos”. Guerra, por sinal, é
outro dos que assinaram o manifesto de apoio a Yeda Crusius. No DF,
supõe-se, o PSDB devia ser a flor do lodo – apesar do lodaçal atingir
“apenas” o presidente regional do PSDB, implicado pelos mesmos depoimentos
que implicam Arruda.
Diz o deputado Maia que “nós do Dem estamos
investigando as denúncias contra um filiado. O PSDB poderia ter investigado
a governadora Yeda Crusius, mas não fez”. E nem vai fazer.
O que deixou mais irritado o presidente do Dem
foram as insinuações de que, depois da filmoteca da PF sobre o governo
Arruda, seu partido não poderia indicar o candidato a vice na chapa do PSDB.
“Se for levar em conta escândalos para definir
vaga em chapa, talvez o PSDB nem pudesse lançar candidatura presidencial”,
disse Maia. E repetiu: “se crises como essa fossem impeditivos de alguma
coisa, talvez o PSDB, se fosse o caso, não poderia ter candidato próprio
para presidente”.
Quanto a Arruda, está bem servido: acabou de
contratar José Eduardo Alckmin, que vem a ser o advogado de Yeda Crusius.
Deve ser um profissional muito experiente nesses assuntos. E até capaz de
fazer milagres.
C.L.