Proprietário da Linknet reclamou da ganância de Arruda e Paulo Octávio
O empresário Gilberto Lucena, dono da empresa de
informática Linknet, aparece em um dos vídeos gravados por Durval Barbosa
reclamando do apetite do governador José Roberto Arruda e seu vice, Paulo
Octávio, ambos do Dem, na cobrança de propinas. “É duro mais do que 4%, 5%!
Me ajuda nisso aí!”, queixou-se, pedindo que o pedágio cobrado de sua
empresa nos contratos com o governo fosse reduzido.
“Não posso fazer nada. O Arruda quem mandou”,
respondeu o autor das gravações. O empresário demonstra irritação com o
tamanho da extorsão e Durval ironiza: “É o Arruda... teu amigo!”. “Ele não é
amigo meu não! É amigo do capeta! Do capeta! Não tenho amizade com esse tipo
de gente...”, responde Lucena, rispidamente.
A Linknet tem contrato de R$ 223 milhões para
prestar serviços de processamento de dados ao governo. Na conversa, gravada
pelo ex-secretário de Relações Institucionais, o empresário detalhou que a
propina paga ao esquema era de 1% do contrato. Além de Paulo Octávio, disse
que pagava 1% para o corregedor-geral do GDF, Roberto Giffoni.
“O Paulo Octávio está cobrando! (...) Tá
dizendo: ‘Ah! Não vai pagar primeiro para mim, não?’”, comentou Durval.
Lucena respondeu que uma parte já teria sido paga, pois teve de adiantar
dinheiro ao secretário de Planejamento, Ricardo Pena. “Deu R$ 300 mil pro
Ricardo?”, indagou o dono da Linknet. “Não, foi R$ 200 e poucos...”, disse o
outro.
Quando Lucena afirmou que descontaria dos
pagamentos o adiantamento feito ao secretário de Planejamento, ele respondeu
que seria difícil. “Então avisa isso lá, porque o Pena só assina se pagar
para ele adiantado! Foi assim da vez passada e foi desse jeito agora!”,
disse Durval. “Eu vou descontar, mas é lógico que eu vou descontar!”,
exalta-se Lucena.
“E eu vou descontar isso de quem? Vou descontar
do Paulo Octávio...”, disse Durval. Ele também pediu que o empresário
fizesse uma prestação de contas. “Vou fazer! Posso fazer! Olha, o Paulo
Octávio tem quantos por cento disso aqui?”, perguntou. “Tem 30%”, confirmou
Durval Barbosa.
Os autos da Operação Caixa de Pandora contêm
ainda um vídeo em que três representantes da Infoeducacional, empresa que
tem contrato com a Secretaria de Educação para o desenvolvimento de
softweres para as disciplinas de português e matemática, foram flagrados
repartindo a quantia de R$ 298 mil. O dinheiro seria repassado ao governador
e o vice, além de outras autoridades do governo.
Recebidos no gabinete de Durval Barbosa, em
outubro, um deles disse que trouxera a “encomenda” e tirou maços de notas de
R$ 100 de uma pasta. Segundo o inquérito, R$ 60 mil foram encaminhados para
o então secretário de Educação, José Luiz Valente, por meio de seu assessor
“professor Adailton”, que também aparece no vídeo. Outras R$ 60 mil teriam
sido repartidos entre Fábio Simão (chefe de gabinete de Arruda) e Gibrail
Gebrim (assessor da secretaria).
O restante, R$ 178 mil, seria distribuído por
Durval entre Arruda (40%), Paulo Octávio (30%), o assessor de imprensa do
governador, Omézio Pontes (10%), e o ex-chefe da Casa Civil, José Geraldo
Maciel (10%). Segundo o documento da polícia, outra quantia de R$ 17.800
ficaria à “espera do comando” de Arruda para ser distribuída.