Amorim: avareza deixa EUA isolado na OMC
O
chanceler Celso Amorim criticou a ganância dos
EUA e defendeu, ao lado dos países emergentes,
uma nova postura dos americanos. Amorim rebateu
o representante dos EUA, que antes da reunião
ministerial da Organização Mundial do Comércio (OMC),
ocorrida em Genebra, abriu o jogo, mantendo as
restrições de seu país aos emergentes e exigindo
deles a abertura de seus mercados aos produtos
industrializados americanos.
O representante de Comércio da Casa Branca, Ron
Kirk, cobrou que o Brasil abra seu mercado como
condição para um acordo na OMC. Ele disse que
caberá ao Brasil fazer novas concessões, mais
especificamente de 3 mil linhas tarifárias. Para
Amorim, “a proposta dos EUA é irracional”.
O Itamaraty respondeu denunciando o jogo duplo
do americano. Enquanto mantém seu protecionismo,
cobra a abertura de outros países. O
representante brasileiro aproveitou para cobrar
a abertura do mercado americano para o etanol,
suco de laranja e açúcar. “É surpreendente que o
Partido Democrata ainda tenha uma velha agenda
republicana de obter vantagens extras no
comércio para beneficiar alguns poucos
trabalhadores”, afirmou Amorim.
Em manobra para tentar dividir os países pobres
dos BRICs (Brasil, Rússia, Índia e China), o
representante americano disse que não está
pedindo a abertura dos países pobres. “É das
economias em desenvolvimento mais avançado que
estamos falando”, afirmou. Se é assim, por que,
então, não começar pelos EUA e outros países
ricos? O que eles querem é continuar
monopolizando os mercados mundiais e, para isso,
manobram para impedir o desenvolvimento
industrial dos emergentes.
Amorim respondeu às intrigas de Kirk avaliando
que os Estados Unidos transformaram as reuniões
na OMC num “teatro de sombras”. Ante as
alegações do representante americano de que o
comportamento do Brasil impossibilitará a
conclusão da Rodada de Doha, Amorim mostrou que
o único responsável pelo impasse é os EUA. “Há
um só país que hoje não está de acordo com a
Rodada: os Estados Unidos”, denunciou. “A
questão é simples aqui. Dos 153 países da OMC,
152 já estão de acordo. Só um não está”,
completou.
O ministro das Relações Exteriores do Brasil
referiu-se àquela reunião da OMC como “um
seminário”. “Não vou ficar para outra reunião
que tenha como ponto principal dizer que
precisamos de mais reuniões”, disse,
retirando-se do recinto. “Tudo está aí, mas um
país não quer ir adiante”, declarou. “Há um
país em particular que faz com que as
negociações sejam lentas”, reafirmou.