|
Sobrevalorização
especulativa do câmbio faz superávit com os EUA virar déficit comercial
O Ministério do
Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC) divulgou na terça-feira
(1º) os números da balança comercial. Um resultado muito significativo
apresentado foi o recuo de 43,7% de janeiro a novembro nas vendas para os
Estados Unidos, na comparação com o mesmo período do ano passado.
As tabelas
publicadas no site do Ministério, relativas aos dez primeiros meses de 2008 e
2009, registram uma queda brutal nas exportações para os EUA, transformando o
superávit da balança comercial brasileira com esse país em déficit. De janeiro a
outubro deste ano, as exportações somaram US$ 12,804 bilhões, ante US$ 23,664
bilhões do ano passado, o que significa uma variação negativa de 45,89%.
Nos dez primeiros
meses de 2008, o saldo da balança comercial brasileira com os EUA teve um
superávit de US$ 2,166 bilhões. Já este ano, no mesmo período, foi registrado um
déficit de US$ 3,822 bilhões.
O problema da
acentuada queda nas exportações brasileiras é a sobrevalorização do real ante ao
dólar, que encarece os produtos fabricados no Brasil. Esta sobrevalorização é
resultante da entrada maciça de dólares sem lastro emitidos pelo banco central
norte-americano (FED) após o estouro da crise, em meados de setembro do ano
passado. A guerra cambial foi açulada pelos EUA exatamente para rapinar outros
países e tentar sair da crise.
Enquanto o câmbio
permanecer sendo determinado – ou melhor, manipulado – pelos bancos, que é o que
ocorre com o chamado “câmbio flutuante”, o dólar continuará derretendo, as
exportações continuarão em trajetória descendente e as importações seguirão
aumentando. É tudo o que não precisamos neste momento, a não ser que o que se
queira é chafurdar na crise. Além da redução dos juros, a alternativa para
reverter essa situação é controlar o câmbio, tendo como o norte a retomada do
crescimento econômico. |