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Servidores do RS vão às ruas contra o corte de
benefícios
Manifestação reuniu milhares em frente à sede do
Palácio do Governo em repúdio aos projetos que
reduzem conquistas
Cerca de 5 mil pessoas participaram, na
terça-feira, de uma manifestação na frente do
Palácio Piratini, sede do Governo do Rio Grande
do Sul, em repúdio à Proposta de Emenda à
Constituição Estadual (PEC 200/2009) e aos
projetos que afetam os direitos dos servidores
públicos, enviados pela governadora Yeda Crusius
(PSDB) à Assembleia Legislativa do Estado.
A PEC 200 – que atinge todas as carreiras de
servidores públicos civis - revoga o parágrafo
3º do artigo 31 da Constituição, que assegura a
promoção nas carreiras por critérios objetivos
de antiguidade e merecimento. Segundo o advogado
do CPERS/Sindicato (Centro dos Professores do
Estado), Jorge Santos Buchabqui, a supressão
desse parágrafo “permitirá que o Estado
modifique o Estatuto e todos os planos de
carreira para estabelecer quaisquer critérios
para realização de promoções”.
No mesmo artigo, também são revogados os
parágrafos 3º e 4º do artigo 33, que asseguram
gratificações e adicionais por tempo de serviço
a todos os servidores, e as Licenças Prêmios –
licenças concedidas ao servidor, de três meses
remunerados, a cada 5 anos, por assiduidade.
Entre os projetos enviados pela governadora, há
o que estabelece uma remuneração mínima de R$
1.500 para o magistério, para 40 horas semanais.
O projeto foi rejeitado pelos trabalhadores da
educação, pois, na avaliação da categoria, a
proposta desvaloriza o salário dos professores
ao estabelecer como piso estadual a soma de
todas as vantagens e benefícios pagos, e não ao
piso de fato, definido como valor fixo inicial
da carreira do magistério, ao qual são
acrescentados os benefícios e gratificações.
“A proposta do governo é de um completivo de
R$1.500, mas esse completivo é um somatório de
tudo que nós ganhamos no contra-cheque. Este
completivo estabelece um valor de R$ 750 para 20
horas e R$ 1.500 para 40 horas e ele significa o
congelamento do nosso salário, pois sobre eles
não incidem as nossas vantagens. Pelo contrário,
para chegar a este valor ele soma todas as
nossas vantagens”, afirmou a presidente do CPERS,
Rejane de Oliveira. Na sua avaliação, a
governadora propõe um teto salarial e não um
piso.
Além dos projetos, o Governo enviou à Assembléia
Legislativa pedido de regime de urgência, o que
obriga a Casa a apreciá-los em até 30 dias após
o seu envio. Com isso, a Assembléia teria que
votá-los antes do recesso que se inicia em 15 de
dezembro, abreviando o debate entre os deputados
e a sociedade.
No entanto, logo após a manifestação da terça,
que contou com a presença das centrais sindicais
CUT, CGTB e Conlutas, os sindicalistas se
dirigiram até a Assembléia Legislativa, e foram
recebidos pelo presidente da Casa, Ivar Pavan
(PT), que informou haver um acordo de lideranças
para a retirada do regime de urgência dos
projetos. Pavan analisou que dificilmente o
pacote será apreciado neste ano.
Em estado de greve desde o dia 20 de novembro,
professores e funcionários de escola voltam a se
reunir em assembleia no próximo dia 9, no
Gigantinho, em Porto Alegre. |