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Com Congresso ocupado
por tropas, golpistas arrancam só 2 votos além do mínimo necessário contra a
recondução
Os
deputados hondurenhos, depois de adiamentos e manobras para postergar a
decisão, votaram a favor do golpe de 28 de junho ao apoiarem a destituição
ilegítima do presidente constitucional, Manuel Zelaya. Mesmo sob a pressão
da ditadura instalada com a saída de Zelaya os gol-pistas consguiram
amealhar 67 votos entre os 128 deputados do Congresso, 2 a mais do que o
mínimo necessário à maioria.
Durante a sessão do dia 2, convocada quase seis meses depois do golpe, as
forças policiais e seguranças, sob o comando do regime de Micheletti,
reprimiram centenas de pessoas que se manifestavam em defesa do presidente
constitucional e as mantiveram, à força, afastadas do local.
“Eu me pronunciei contra o golpe. Houve muitos deputados que, sabendo que
isso aqui seria uma farsa, não vieram, estão nas ruas, junto com o povo
dizendo não à ditadura. Mas eu achei que não podia calar e deixar que os que
estão aqui fazendo de conta que tomam uma decisão democrática ficassem sem
ouvir que venderam o mandato e traíram o voto que os elegeu”, assinalou a
deputada, Elvia Valle.
O advogado e deputado do Partido Liberal (PL), Angel Orellana, advertiu que
se essa plenária, mesmo esvaziada, não restituísse Zelaya a seu posto
enfrentaria sérios problemas com a sociedade hondurenha e a comunidade
internacional. “Não se pode substituir a vontade soberana do povo e pensar
que não será cobrado, que um golpe dura muito tempo”.
Dezenas de manifestantes que tentavam chegar às proximidades do Congresso
para protestar contra a farsa foram presos.
Membros do esquadrão anti-bombas, acompanhados de cachorros, ocuparam o
estacionamento do Congresso e áreas do prédio, inclusive o salão do plenário
de 128 deputados.
“Mel Urgente” (Manuel Zelaya), “Volta Mel”, entoavam os manifestantes.
A maioria desse Congresso permaneceu 5 meses em recesso, permitindo
passivamente a realização de um golpe de Estado e a instalação de
autoridades ilegítimas. Nas paredes do legilativo hondurenho apareceu
pintada a palavra “deputíteres”.
O Legislativo votou contra o item 5 do Acordo Tegucigalpa/San José, assinado
em 30 de outubro pelas comissões de Zelaya e Micheletti, bancado por
representação internacional, com o objetivo de conseguir uma solução para a
crise. Após a assinatura, a direção do Congresso adi-ou os debates sobre o
item que reconduzia Zelaya sob a desculpa de esperar as opiniões de várias
instituições. Assim, o tempo passou e a restituição de Ze-laya que, se
ocorresse, permitiria que as eleições fossem realizadas legalmente, ficou
para depois do pleito, deixando-o sem credibi-lidade pois realizado sob os
golpistas.
Zelaya afirmou que, nessa situação, mesmo que o parlamento aprovasse agora
sua restituição, não voltaria. “Não sou um boneco. O povo hondurenho não me
perdoaria que me dobrasse perante o golpe de Estado de junho. E isso seria o
que aconteceria se aceitasse voltar depois da fraude eleitoral que ocorreu
no domingo passado”, frisou. |