|
Obama envia mais 30 mil invasores e diz que é
para o bem dos afegãos
O presidente
americano esclareceu que o aumento de tropas vai apressar a retirada e visa
ajudar às vítimas da tirania. Disse ainda que só os mal-agradecidos não entendem
a missão humanitária dos EUA no mundo
Em
pronunciamento na terça-feira à noite na Academia Militar de West Point, o
presidente dos EUA, Barack Obama, anunciou o envio de mais 30 mil soldados ao
Afeganistão, país ocupado desde a invasão em 2001, sob o governo de W. Bush.
Obama
dirigiu-se aos afegãos para pedir que eles “entendam que não tem interesse em
ocupar o país”, no momento em que comunicava a decisão de manter a partir de
agora cerca de 100 mil militares estacionados no país asiático.
Depois de ter feito uma campanha comprometida com o fim das guerras provocadas
por Bush, declarou que a escalada visa apressar a retirada do Afeganistão, que,
segundo o Nobel da Paz da Casa Branca, se daria no ano de 2011. Obama não fez
referência a nenhum entendimento com a guerrilha afegã a respeito de prazos para
manter a ocupação.
GENEROSIDADE
Aliás, segundo
o presidente norte-americano, a ocupação do Afeganistão seria na verdade uma
missão, obrigação humanista dos EUA pois “todo aquele que vive sob a nuvem negra
da tirania pode estar certo que a América vai falar em defesa de seus direitos
humanos” e lamentou que “já derramamos sangue em muitos países e múltiplos
continentes e nem sempre nos agradeceram por estes esforços”.
Quando tratou
do governo fantoche dirigido pelo ex-dono de uma rede de lanchonetes nos EUA,
Hamid Karzai, que entrou no país dentro dos tanques dos invasores, Obama chegou
a navegar pelo surrealismo: “ainda que um governo legítimo tenha sido eleito
pelo povo afegão, ele foi dificultado pela corrupção e tráfico de drogas”.
Mas agora, num
passe de mágica, estaria tudo no rumo certo. Não se sabe bem porque, “o
presidente Karzai, em seu discurso de posse mandou a mensagem correta sobre
mover-se em nova direção” e “nós vamos em frente deixando claro aquilo que
esperamos dos que recebem nosso apoio”, pois os dias de “entregar cheques em
branco acabaram”.
Parecendo
ignorar que a um governo composto de capachos da ocupação seja impossível se
pautar pelo compromisso com o povo, Obama diz que irá “apoiar os ministros,
governadores e líderes locais que combaterem a corrupção e trabalhem para o
povo”. A esse respeito está muito otimista: “espero que os ineficientes e
corruptos respondam por isso”.
Esclareceu o
motivo de seu otimismo: “impedimos o Talibã de barrar uma eleição presidencial”
e “ainda que estragada pela fraude, aquela eleição produziu um governo em
consistência com as leis e a Constituição do Afeganistão”.
VIETNÃ
Declarou que a
atual ocupação é diferente do que aconteceu no Vietnã, onde os EUA enfrentaram
“uma insurgência de ampla base popular”, o que pressupõe que ele acha que a
guerrilha afegã não tem esse apoio todo, mas, mesmo com 70 mil soldados com o
armamento mais moderno do mundo, a resistência estaria “gradualmente começando a
controlar novas faixas de território no Afeganistão”.
“Não há risco
iminente do governo ser derrubado”, no entanto, reconheceu que a guerrilha “tem
ganho força”.
O presidente
disse que a escalada é o recurso necessário para “tomar a iniciativa”, ao que os
guerrilheiros alertaram em sua recente declaração: “os afegãos nunca foram
subjugados por falsidades, complôs ou poder militar e, portanto, o reforço nas
tropas norte-americanas nos fornecerá uma melhor oportunidade para nossos
guerrilheiros de lançar ofensivas”.
O chefe das
tropas de ocupação, general McChrystal, que no Iraque criou esquadrões da morte
para matança de membros da Resistência, diz apostar agora em “convencer” os
guerrilheiros afegãos a depor as armas, mas admite que eles “cresceram
significativamente”.
O porta-voz da
resistência, Qari Yusuf Ahmadi reafimou por telefone, falando à AFP, a
disposição de luta do povo afegão: “Obama verá desfilar muitos caixões de
soldados americanos mortos no Afeganistão”. “Os 30.000 soldados extras”,
acrescentou, “reforçarão a resistência e a luta. Eles se verão obrigados a uma
retirada vergonhosa”.
NATHANIEL BRAIA
|