MP pede para investigar propina em obras do Metrô de SP e do Rodoanel
Com base em planilhas que indicam pagamentos a
parlamentares e outras autoridades, o Ministério Público Federal em São
Paulo (MPF/SP) encaminhou 18 representações a diferentes órgãos pedindo
abertura de investigações sobre 14 obras da Camargo Corrêa, entre elas a
Linha 4 - Amarela do Metrô e o Rodoanel, para apurar o pagamento de propina.
As obras sob suspeita são mencionadas em
documentos apreendidos pela Polícia Federal, dia 5 de maio, na construtora e
com diretores da empresa.
Os documentos indicam a prática de corrupção
ativa e passiva, crimes financeiros, além de atos de improbidade
administrativa e prováveis irregularidades eleitorais. Ao lado de
referências às obras, são citadas pessoas ligadas ao executivo e legislativo
que, por serem da esfera estadual ou autoridades com prerrogativa de foro,
não podem ser investigadas pelo MPF/SP.
À Procuradoria Geral da República, em Brasília,
foram encaminhadas seis representações sobre obras em que são apontados
pagamentos para senadores, deputados federais e membros do Tribunal de
Contas da União. Os documentos incluem uma planilha com indicações de
parlamentares supostamente beneficiados por pagamentos em dólares e reais
feitos pela Camargo Corrêa entre 1995 e 1998.
Sete pedidos de investigações foram enviados à
Procuradoria Geral de Justiça de São Paulo, envolvendo oito obras do estado
e de municípios em que são citados membros do Ministério Público estadual,
Polícia Civil, Tribunal de Contas do Estado, secretários de estado e
prefeitos. À Procuradoria Geral de Justiça do Rio de Janeiro e o MPF do
Distrito Federal foram solicitadas a abertura de uma investigação em cada
órgão.
A procuradora da República Karen Louise Jeanette
Kahn, responsável pelo caso, também encaminhou representações ao Ministério
Público Eleitoral de São Paulo sobre obras que contêm nomes de ex-candidatos
e autoridades legislativas, pedindo que sejam apurados eventuais crimes
eleitorais.
O MPF solicitou ainda a abertura de um inquérito
na 6ª Vara Federal de São Paulo para investigar três membros do Conselho de
Administração da Camargo Corrêa por movimentações financeiras no exterior e
suspeita de crimes de evasão de divisas e lavagem de dinheiro. Um deles
estaria investindo em obras de arte compradas “por fora”.