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Parlamentares
protocolam CPI para investigar telefonia móvel
Autor do
requerimento que já tem 173 assinaturas, o deputado Ribamar Alves argumentou que
existe “uma crise no sistema de comunicação celular”. “É preciso que o sistema
receba vultosos investimentos para que não entre em pane”, disse
O deputado Ribamar Alves (PSB/MA) apresentou no dia 2 um requerimento
solicitando a constituição de Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para
investigar a crise na prestação do serviço público de telefonia celular. O
requerimento apoiando a iniciativa foi apresentado à Secretaria-Geral da Mesa
com 173 assinaturas confirmadas, número suficiente para a abertura da
investigação.
“Consideramos que se esgotaram os meios ordinários para que o problema com a
telefonia celular fosse resolvido. Como o tema é por demais abrangente,
resolvemos limitá-lo, por ora, apenas ao problema crônico das constantes quedas
nas ligações dos telefones celulares. Esse é, portanto, o objetivo: investigar
as razões pelas quais as ligações dos telefones celulares se encontram abaixo do
esperado”, afirma o deputado Ribamar Alves no requerimento para a constituição
da CPI.
Segundo o parlamentar, “é preciso que o sistema receba vultosos investimentos
para que não entre em pane, provocando, quiçá, um possível ‘apagão telefônico’.
Aliás, é obrigação legal das operadoras de telefonia móvel a prestação de
serviço adequado”.
Para requerer a CPI, o deputado maranhense argumenta que “as falhas na
transmissão, quer dizer, nas ligações realizadas e/ou recebidas por celulares,
decaiu da excelência que deveria ser para um patamar quase que insuportável.
Demonstra isto as milhares e milhares de reclamações recebidas pelos Procon’s de
todo o país”.
“Inúmeras audiências públicas foram, então, realizadas para se discutir o
problema, mas todas soçobraram precisamente pela falta de implementação das
soluções pelas operadoras, o que tem resvalado para uma verdadeira crise no
sistema de comunicação celular”, observa Ribamar Alves.
CUSTO
Alguns parlamentares que compõe a Comissão de Defesa do Consumidor (CDC)
assinaram o requerimento para a instalação da CPI, entre os quais os deputados
Antonio Cruz (PP/MS), Celso Russomanno (PP/SP), Dr. Nechar (PP/SP), Elizeu
Aguiar (PTB/PI), Filipe Pereira (PSC/RJ), Neudo Campos (PP/RR) e Chico Lopes (PCdoB/CE).
Dos 164,5 milhões de aparelhos celulares no Brasil, 82,06% dos usuários usam
serviços pré-pagos (17,94%), que custam de duas a cinco vezes mais caro que os
telefones pós-pagos. “Vejam que ‘maravilha’ produziu a ‘livre concorrência’ no
Brasil com a privatização sem regras. Os mais pobres pagando várias vezes mais
caro pelo mesmo serviço de telefonia. Pagando caro, não. Sendo extorquidos”, diz
o deputado Brizola Neto (PDT/RJ).
No texto que fundamenta o requerimento da CPI, Ribamar Alves lembra que Comissão
de Defesa do Consumidor discutiu em outubro uma indicação de intervenção da
Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) na Telefónica, que atua no Estado
de São Paulo, “à vista dos públicos e notórios apagões telefônicos, inclusive, e
sobretudo, na telefonia celular”.
Os números do Procon-SP, no segmento de telefonia – considerando-se as
principais operadoras fixas e móveis -, registram que entre janeiro de 2005 a 2
de julho de 2009, do total de 166.817 atendimentos, 109.513 foram contra a
Telefónica, o que equivale a 65,65%.
A percepção de “piora” da qualidade do serviço se deu em função do “excessivo
número de protocolos de problemas não resolvidos”, “freqüente interrupção, queda
de sinal, desligue indevido de linha”, “valor cobrado em fatura diferente do
ofertado/contrato”, “cobrança por serviço solicitado/oferecido e não instalado
ou instalado diferente da oferta”, “vício do serviço (queda, interrupção,
lentidão)” e “cobrança de serviço não solicitado”.
Durante audiência pública ocorrida em 8 de julho de 2009, a Ouvidoria da Anatel
informou que, entre 1º de dezembro de 2008 e 31 e maio de 2009, do total das
demandas do Serviço de Atendimento ao Consumidor (SAC), a telefonia móvel ficou
em segundo lugar com 27,97%, atrás da telefonia fixa com 28,03%.
Além disso, elencou um histórico de ocorrências dos serviços de banda larga (Speedy)
da Telefónica: primeira interrupção em julho de 2008, segunda interrupção em
fevereiro de 2009, terceira interrupção em abril de 2009 e quarta
interrupção/intermitência em 18 de maio de 2009. |