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Falta de
investimento causa enchente e morte em SP
Até
um mês antes do período de chuvas considerado crítico pelo Centro de
Gerenciamento de Emergências (GCE), de 1º de novembro a 15 de abril, o governo
do Estado de São Paulo havia empenhado somente 39,36% dos recursos previstos
para as obras na bacia do Alto Tietê.
Pelos dados
recolhidos pela bancada do PT na Assembléia Legislativa, dos R$ 188 milhões
aprovados pelos deputados no Orçamento 2009, o governo de São Paulo empenhou R$
74 milhões. O projeto está na LDO 2009 como parte do “programa de infraestrutura
hídrica e combate às enchentes” e era a maior aposta do governo para combater os
alagamentos em São Paulo, totalizando 74,61% dos investimentos previstos no
programa que tinha como objetivo “prevenir, controlar e combater as inundações
no Estado de São Paulo”.
Na verdade, segundo
o SIGEO (Sistema de Gerenciamento de Execução Orçamentária) da Secretaria da
Fazenda do Estado de São Paulo, dos R$ 34.140.183,43 efetivamente gastos pela
Secretaria de Saneamento e Energia – que comanda o programa de combate às
enchentes - até outubro deste ano (os dados de novembro não estão ainda
disponíveis), R$ 22.186.177,11 vieram do PAC do Saneamento, do governo federal.
Apenas R$ 11.954.006,32, ou 35,01%, foi aplicado pelo Tesouro do Estado. E
ainda, destes R$ 11 milhões, somente R$ 158.990,00 (isso mesmo, 158 mil) em
investimento.
O resultado se viu
em todo o Estado. As enchentes levaram a vida de 15 pessoas na última semana.
Quatro delas eram crianças. Mas, na capital o cenário era de caos. Dezenas de
pontos de alagamento, cinco deslizamentos e oito desabamentos nas zonas leste,
sul e oeste. Segundo a Defesa Civil, a chuva da semana passada deixou um saldo
de 123 casas interditadas até o fechamento desta edição.
Assim como o governo
do Estado, do PSDB, a prefeitura de São Paulo, do Dem, deixou de realizar os
investimentos necessários à contenção das chuvas. As 31 subprefeituras da
capital paulistana gastaram, entre janeiro e outubro deste ano, apenas R$ 2,95
milhões dos R$ 28,9 milhões disponíveis no Orçamento para obras e serviços de
saneamento nas áreas de grandes riscos. Este valor gasto corresponde a 10,2% do
total destinado a este fim.
Segundo a própria
Secretaria de Subprefeituras, o recurso deveria ser aplicado em estruturas de
contenção de encostas, remoção de moradias em áreas de risco de deslizamento e
obras de drenagem para evitar novas enchentes e alagamentos.
A alternativa do
governo foi conter a revolta da população. Aos cerca de 500 moradores de uma
favela em São Mateus, na Zona Leste de São Paulo, que protestaram por causa do
transbordamento do córrego que passa pelo local, o Estado enviou a Polícia
Militar. Segundo informações da PM, um homem foi preso e encaminhado para o 53º
DP. |