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Sindicato denuncia inchaço das terceirizações na
Sabesp
Companhia tem aproximadamente 18 mil
terceirizados, enquanto efetivos são 16 mil
O Sindicato dos Trabalhadores em Água, Esgoto e
Meio Ambiente do Estado de São Paulo (Sintaema)
denunciou a crescente terceirização de serviços
na Companhia de Saneamento Básico do Estado de
São Paulo (Sabesp). De acordo com o presidente
da entidade, René Vicente dos Santos, “hoje a
companhia tem aproximadamente 18.000
trabalhadores terceirizados, enquanto os
efetivos são 16.000”. “É uma forma de precarizar
as relações de trabalho entregando parte das
operações da companhia para empreiteiras”,
afirmou René.
As terceirizações, explica o sindicato, ocorrem
na área de manutenção de rede, fiscalização e
leitura de hidrômetros. “A manutenção tem um
grau grande de terceirização. Achamos que alguns
serviços como cobrança, fiscalização,
distribuição nas redes deveriam ser específicos
da empresa, porque são atividades fins”. “As
empresas terceirizadas não cumprem contrato,
deixam obras pela metade”, afirmou.
Com as terceirizações nos serviços da Sabesp, os
trabalhadores enfrentam baixos salários, redução
de direitos e garantias. A situação levou os
leituristas de duas empresas terceirizadas à
greve durante 15 dias, em junho, para exigir
aumento de salários, cesta básica e
vale-refeição.
Além dos direitos reduzidos, os acidentes de
trabalho nas empresas também têm aumentado. Em
abril do ano passado, um operário morreu em uma
obra da Sabesp, na Cidade Ademar, zona Sul da
capital, e outros dois foram hospitalizados. Em
dezembro, outro funcionário morreu afogado
quando realizava serviços em uma tubulação da
Sabesp, na zona Norte. “As empresas
terceirizadas não priorizam a segurança dos seus
trabalhadores, muitas vezes sem capacitação e
treinamento necessário para a função, além de
não tomarem as medidas essenciais para o
escoramento das valas, o que já resultou em
várias mortes”, afirma o Sintaema.
Para Tomás Antonio de Abreu, diretor do
Sindicato dos Engenheiros do Estado de São Paulo
(SEESP) e engenheiro da Sabesp, da mesma forma
que o quadro geral de pessoal, “a área de
engenharia sofreu, na mesma proporção, redução
significativa do número dos seus profissionais.
Nesse caso, por se tratar de trabalhadores que
exercem atividades-fim, a conduta deixará a
Sabesp sem condições de atender com qualidade as
necessidades da população, agravando a situação
do saneamento no Estado de São Paulo. A
conseqüência última da continuidade de tal
política, que o SEESP vê com grande preocupação,
será a incapacidade da Sabesp de gerir com
eficiência suas atividades, o que, em médio
prazo, lhe causará danos irreversíveis”.
Conforme o Sintaema, a entidade está denunciando
na Justiça a ilegalidade das terceirizações, a
falta de funcionários dentro da empresa e
exigindo a realização de concursos públicos.
“Nós temos atuado na Baixada Santista. O
Sindicato dos Trabalhadores na Indústrias e
Serviços Urbanos de Santos, Baixada Santista,
Litoral Sul e Vale do Ribeira (Sintius) entrou
com uma ação pedindo para que as atividades fins
não fossem terceirizadas”. “Vamos procurar uma
parceria maior junto aos Ministérios Públicos
estaduais, denunciando esse grau de
terceirização, porque isso pode causar um risco
muito grande ao setor de saneamento”.
Manifestando repúdio à política de terceirização
e de demissões na empresa, a deputada Maria
Lúcia Prandi (PT), afirmou que a Sabesp,
“lamentavelmente, demite os que lá trabalham,
têm experiência e estão comprometidos com os
resultados. O que a estatal precisa é acabar com
as terceirizações, que são outro ralo por onde o
dinheiro público vai por água abaixo. É preciso
preencher vagas por concurso público e valorizar
o quadro de pessoal”. Desde o início do ano, a
empresa vem demitindo os aposentados que estão
na ativa, e pretende, até 2011, dispensar 2.250
aposentados. |