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A
máfia farmacêutica. Pior o remédio que a doença (3)
As ligações
perigosas entre grandes multinacionais químico-farmacêuticas, o alarme
mundial sobre uma suposta pandemia de gripe aviária e o ex-secretário de
Defesa dos EUA, Donald Rumsfeld
Continuação da edição anterior
CARLOS
MACHADO*
Como bem assinala o Dr. José Antonio Campoy, diretor
da “Discovery Salud”, até o ano de 1996 o Tamiflu era propriedade da empresa
Gilead Sciences Inc, que nesse ano vendeu a patente aos laboratórios Roche.
E quem era então seu presidente? Pois nada mais nada menos que o até pouco
tempo secretário de Defesa dos Estados Unidos, Donald Rumsfeld, a quem
recordamos, em artigo anterior, vinculado naquele momento ao laboratório
Searle, logo adquirido pela multinacional Monsanto, criadora de um adoçante
de trágicos antecedentes como o aspartame, comercializado sob os nomes de
Nutrasweet e Equal, e componente hoje em dia da maioria dos adoçantes e
produtos marcados como “não calóricos” ou “livre de açúcar”, que pululam no
mundo, algo a que também nos referimos em um artigo anterior.
Cabe destacar
que Rumsfeld continua hoje vinculado à Gilead Sciences Inc. como um dos seus
principais acionistas. O caso é que quando se começou a falar em gripe
aviária, a Gilead quis recuperar o Tamiflu, alegando que a Roche não fazia
suficientes esforços para fabricá-lo e comercializá-lo. Que teve força
suficiente para obtê-lo - força em que provavelmente teve sua parte o então
secretário de defesa - demonstra o fato de que ambas as empresas se sentaram
para negociar, acordando rapidamente constituir comitês conjuntos. Uma
encarregada de coordenar a fabricação mundial do medicamento e decidir sobre
a autorização a terceiros para fabricá-lo, e outra para coordenar a sua
comercialização nos mercados mais importantes, incluindo os Estados Unidos.
A tudo isto há que agregar mais um detalhe: a Roche já dominava 90% da
produção mundial de anis estrelado, planta que cresce fundamentalmente na
China, e se encontra também no Láos e na Malásia, e que é a base do Tamiflu.
Assim foi se
completando o cenário. Só faltava começar a encontrar, pouco a pouco, e em
distintos países, algumas aves contaminadas com o vírus - uma galinha aqui,
dois patos ali -, para criar assim o alarme mundial com a ajuda de
cientistas e políticos sem escrúpulos ou de escassa capacidade intelectual,
e dos grandes meios de comunicação, que, como todos sabem, não se
caracterizam precisamente por investigar o que publicam ou
omitem.
E o que tem a
ver Rumsfeld com tudo isso? Pois nada absolutamente, se nos atermos a sua
resposta, claro. De acordo com um comunicado emitido pelo Pentágono (outra
fonte “segura”), o então secretário de Estado não interveio nas decisões que
tomou o governo de seus amigos, o presidente Bush e o vice-presidente Dick
Cheney, sobre as medidas preventivas que havia de se adotar frente à “ameaça
de pandemia”. O comunicado afirma que ele se absteve e não teve nada a ver
com a decisão da administração norte-americana de aconselhar e apoiar o uso
do medicamento Tamiflu em nível mundial. Portanto, temos que acreditar. Como
quando assegurou solenemente que no Iraque havia armas de destruição em
massa.
Além do mais, o
fato de que seu nome também tenha aparecido unido a uma vacinação
generalizada contra uma suposta gripe, que deu certo durante a presidência
de Gerald Ford, na década de 1970, e que teve como resultado mais de 50
mortes causadas por efeitos colaterais, não é mais que uma
coincidência.
Como também é
coincidência que a FDA aprovou o aspartame depois de três meses que Rumsfeld
se incorporara ao gabinete de Ronald Reagan, em que pese que em dez anos de
pesquisas sobre o produto não se havia tomado nenhuma decisão.
Supostamente,
Rumsfeld também não teve nada a ver, depois do atentado às Torres Gêmeas,
com a compra do Vistide, medicamento adquirido massivamente pelo Pentágono
para evitar os efeitos colaterais que a vacina contra a varíola poderia
provocar entre os soldados enviados ao Iraque. Além disso, que o Vistide
também era produzido pelo laboratório Gileard Sciences Inc., criador do
Tamiflu, é outra coincidência.
Não devemos
pensar mal de Donald Rumsfeld, em todo caso, por acompanhar de perto todas
as informações que apareceram sobre a gripe aviária, e pelas propostas de
encher as farmácias de Tamiflu. Talvez não seja um medicamento muito eficaz
contra a gripe aviária, mas ao menos poderá evitar, com um pouco de sorte,
um modesto resfriado.
OS
LABORATÓRIOS DE FRANKENSTEIN
Concluindo a
trilogia de artigos em que temos exposto, para a consideração dos leitores,
os desastres mundiais contra a humanidade provocados por multinacionais
químicas como a Monsanto e Dow Chemical, entre outras; os graves problemas
de saúde gerados pelo Nutrasweet, seus derivados e os demais adoçantes cuja
base é o aspartame; expomos agora os atentados contra a saúde que também
cometem as multinacionais farmacêuticas para criar novos produtos ou
melhorar os já existentes, realizando experiências aberrantes.
A companhia
Procter & Gamble (P&G) - dedicada à criação e comercialização de produtos
que vão desde sabonetes, xampus, diversos cosméticos e artigos femininos
como absorventes higiênicos e tampões, e que não faz muito tempo estendeu
suas ações ao ramo farmacêutico - como a Nestlé e a Colgate-Palmolive - vem
sendo acusada nos últimos tempos de levar a cabo experimentos cruéis com
animais, para testar elementos químicos, cosméticos ou alimentos
balanceados.
A organização
britânica “Uncaged”, que luta pelos direitos dos animais, acusa a Procter &
Gamble de realizar experiências dolorosos, invasivas e letais em cães, gatos
e outros animais. Algumas das pesquisas mencionadas são induzir alergias
severas em cachorros Siberian Husky e provocar a morte de gatos com
abomináveis experimentos invasivos.
Por sua vez, a
PETA (People for Ethical Treatment for Animals), outra entidade protetora de
animais com mais de um quarto de século de trajetória, com sede na Virgínia,
Estados Unidos, conseguiu introduzir-se em um dos laboratórios da IAMS,
empresa adquirida em 1999 pela P&G, e declarou haver encontrado cachorros
que viviam em total confinamento em jaulas de escassas dimensões, outros a
que extirparam as cordas vocais, e alguns animais morrendo em suas jaulas,
abandonados e sofrendo horrores sem nenhuma assistência veterinária.
As experiências
- denunciadas em várias oportunidades e que motivaram protestos de ativistas
em vários países, encabeçados pela “Uncaged”, com um dia de boicote à P&G em
maio de 2005, repetido exatamente um ano depois - incluem queima de pele de
animais com ácidos, introdução de poeira nos olhos e outras lindezas pelo
estilo. Supostamente tudo em nome da ciência.
Por sua vez, a
Nestlé Purina Petcare segue fazendo experimentos desde 1926 em um complexo
localizado em Saint Louis, Missouri (casualmente vizinho da Monsanto), onde
alojam cerca de 600 cães e 500 gatos em treze edifícios. Eles mesmo publicam
suas pesquisas - entre elas, aparecem certos estudos em que induzem falhas
renais em cachorros e outros animais, para depois testar a cura com uma
dieta de baixa proteína - em periódicos científicos, com o fim de engordar
as carreiras e currículos de seus pesquisadores.
A empresa
Colgate-Palmolive realiza suas pesquisas no Hill´sPet Nutrition, em Topeka,
Kansas (EUA). Há alguns anos, a União Britânica contra a Abolição da
Vivisecção publicou detalhes de uma experiência feita pela empresa na
Universidade de Columbia, em que aprisionavam cobaias em pequenos tubos de
plástico e lhes aplicavam uma forte solução de sulfureto quatro horas por
dia, durante três dias. O que causava lacerações e sangramentos na pele dos
animais.
Expusemos aqui, em suma, alguns exemplos com
que nos obsequiam as multinacionais químicas e farmacêuticas - em boa parte
dos casos ocultando-os, disfarçando ou desmentindo e atacando quem se atreva
a denunciar, criticar ou opor-se por qualquer meio a seus desígnios -, e que
nos deixam uma pergunta praticamente incontestável: em vista dos efeitos
nocivos de muitos produtos elaborados pelas grandes empresas do setor,
muitos deles inalcançáveis para grande parte da população mundial por seu
alto custo, ou por nem chegarem a seus países, e pela monopolização exercida
por essas multinacionais em razão do patenteamento dos fármacos, o que
podemos consumir? Como podemos nos defender do envenenamento causado por
determinados produtos químicos e por medicamentos não devidamente
comprovados? Quem nos protegerá contra tantos abusos? Possivelmente só nós
mesmos tenhamos a última palavra.
* Publicado originalmente em
www.ecoportal.net. |