|
EUA: desemprego aumenta
nos setores
da indústria e construção
O setor da
informática também desempregou, e as contratações temporárias de antes do
Natal pouco contribuíram para amenizar o grave quadro
Como
na velha anedota sobre o biquíni, as estatísticas continuam mostrando tudo e
escondendo ainda mais: segundo os novos dados do Departamento do Trabalho
dos EUA, em novembro o país tanto teve a menor perda líquida de postos de
trabalhos (não-agrícolas) no ano – aliás, desde o início da recessão -,
11.000, assim como a segunda pior taxa de desemprego em dez anos, 17,2%.
Isto é, 1 em cada 6 - 26,9 milhões de sem-emprego nos EUA. Pior do que essa,
só os 17,5% de outubro.
Assim, a segunda pior taxa de desemprego em dez anos (obtida na pesquisa por
domicílios) coincide com os 11 mil empregos a menos da pesquisa por folhas
de pagamento. Em outubro, o corte de postos de trabalho havia sido de 111
mil, interessante número revisado dos 190 mil inicialmente informados. Tal
redução da ordem de 1 para 10 em um mês foi considerada “dramática” pela
economista Heidi Shierholz, do Centro de Economia Política. Cá para nós,
isso é que é uma estatística com números redondos.
A propósito, o Bureau, em sua revisão preliminar anual, lançada em 2 de
outubro, aumentou o total de empregos perdidos de abril de 2008 até março de
2009 em 824.000. Mas o emaranhado de dados sobre desemprego nos EUA, como os
190 mil revisados de outubro, que viram 111 mil, que dão origem aos
fantásticos “apenas menos 11 mil” de novembro, tem na origem a questão: que
recuperação é essa, sem empregos?
Graças a Papai Noel e às datas natalinas, era previsível que alguma melhoria
haveria no ritmo de cortes de postos de trabalho no último trimestre. Mas, o
que melhorou, e o que continuou ruim, ou se agravando? Informa o Bureau que
houve perdas na indústria, construção civil e informática, e que apenas
serviços, saúde e governo somaram postos de trabalho.
Foram 41.000 vagas a menos na indústria, principalmente em bens duráveis. Na
construção, as perdas de empregos atingiram 27.000 – a maior parte
não-residencial. Na informá-tica, 17.000 cortes, com a metade no setor de
componentes para telecomunicações. Transporte, armazenagem, atividades
financeiras e lazer apresentou pequenas alterações ao longo do mês. As lojas
de departamento contrataram mais 8 mil para as vendas de Natal, mas no
conjunto o varejo perdeu 14.500 vagas. O número de postos de trabalho nos
serviços aumentou 86.000, sendo que 52.000 são empregos temporários. A área
da saúde absorveu mais 21.000 funcionários. A área de governo aumentou em
7.000 postos de trabalho, sendo 1.000 federais, 5.000 estaduais e 1.000
locais.
Voltando à taxa de desemprego “cheia” de 17,2%, e que no jargão do Bureau é
apresentada como “subutili-zação do trabalho”. Isto é, a que efetivamente
apresenta um quadro extenso do desemprego: 15,4 milhões de desempregados
oficialmente reconhecidos como tal; mais 9,2 milhões “involuntariamente” em
tempo parcial, isto é, fazendo bicos; mais 2,3 milhões de “frouxamente
ligados ao mercado de trabalho”, dos quais 862 mil são considerados
trabalhadores “desencoraja-dos”. Milhões simplesmente são considerados
excluídos do mercado de trabalho e sequer contabilizados. Aliás, esse tipo
de classificação e critérios tem como base, além de outras coisas, a negação
ao direito elementar ao trabalho.
O número de desempregados de longo prazo (aqueles que estão desempregados há
27 semanas ou mais – isto é, meio ano) já são 38,3% dos desempregados [com
relação à taxa oficial de desempregados do Bureau, e que excluiu, de cara,
12 milhões]. Em novembro, esse número aumentou em 293.000, atingindo 5,9
milhões de pessoas. Quadro que tende a se agravar: atualmente, o prazo médio
de desemprego está acima de seis meses (28,5 semanas) e a mediana do
intervalo de desemprego é aproximadamente cinco meses (20,1 semanas). E para
cada posto de trabalho criado, há seis desempregados.
Mas a dimensão do problema do emprego nos EUA é ainda maior. Para atender ao
crescimento da população, isto é, à massa de jovens que ingressa todo ano no
mercado de trabalho, como registrou a economista Heidi Shierholz, “a
economia necessita acrescer aproximadamente 127.000 empregos todo mês, o que
se traduz em 2,9 milhões de empregos em 23 meses desde o início da
recessão”. O número de desempregados há mais de seis meses aumentou em
novembro outros 293.000. Nos últimos seis meses, com os trabalhadores
empurrados por condições extremas, o tamanho da força de trabalho encolheu
em 1,2 milhão de trabalhadores – quando deveria aumentar em torno de 800 mil
nesse período.
ANTONIO PIMENTA |