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Cineastas pedem retirada do Oscar de Al Gore
por
uso de dados falsos
Enquanto diplomatas, ambientalistas e chefes de Estado de 192 países tentam, sob
os auspícios da ONU, em Copenhagen, na Dinamarca, um acordo para conter as
emissões mundiais de gases de efeito estufa, a polêmica em torno do tema chegou
à Hollywood. Na última semana, dois membros da Academia de Artes e Ciências
Cinematográficas, os roteiristas Roger L. Simon e Lionel Chetwynd, pediram que o
Oscar concedido para o filme do ex-vice-presidente dos Estados Unidos, Al Gore,
seja retirado.
Os roteiristas questionam a validade dos fatos apresentados na película “Uma
Verdade Inconveniente”, de Gore, que ganhou o Oscar de melhor documentário em
2007. Pelas regras da Academia, para concorrer ao prêmio, o filme deve enfatizar
“fatos e não ficção”.
O pedido tem como base a divulgação de mensagens eletrônicas entre membros do
Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC, na sigla em inglês)
sobre o “tratamento” de dados que sustentam a tese de que o planeta está
aquecendo por causa da queima de combustíveis fósseis. As mensagens
protago-nizadas por Philipp Jones falam sobre um “truque” matemático para
interpretar dados de temperaturas anteriores às medidas pelos termômetros. Jones
era, até a semana passada quando foi suspenso do cargo, era responsável pelo
tratamento dos dados de aumento da temperatura do planeta que sustentam os
relatórios do IPCC e que são utilizados por Gore no filme.
De acordo com especialistas, a interpretação dada por Jones aos dados escondeu
dos gráficos do Painel a variação do clima nos séculos anteriores à Revolução
Industrial. Portanto, antes da emissão significativa de gases por ação humana.
Rajendra Pachauri, presidente do IPCC e ganhador do Nobel com Al Gore, após
tentar desqualificar a forma como as mensagens foram reveladas, anunciou que vai
estudar os detalhes da denúncia que está sendo chamada de Climategate (numa
alusão ao escândalo de Watergate que derrubou Nixon). O anúncio foi feito na
sexta (4), a alguns dias do início da Conferência da ONU sobre o Clima, que
começou nesta segunda sob protestos de manifestantes por toda a Europa e que
chegam às dezenas de milhares a Copenhagen. Eles apontam os países ricos, sedes
das grandes corporações transna-cionais, como os grandes polui-dores do
meio-ambiente e agres-sores do ecossistema do planeta.
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