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Homenagem a Victor Jara
‘foi uma celebração à
memória e à vida nas ruas de Santiago do Chile’
Victor
Jara, um dos artistas chilenos mais queridos e admirados pelo seu povo e o
de toda a América Latina, recebeu uma série de homenagens que terminaram com
um funeral acompanhado por uma multidão. Houve exposições e apresentações de
suas músicas, no sábado, dia 5. “Foi como uma festa da memória e da vida a
manifestação que percorreu as ruas de Santiago”, disse a viúva do artista,
Joan Jará, que há 36 anos o havia enterrado clandestinamente. Milhares de
chilenos acompanharam, com um cravo vermelho na mão, a despedida.
Em uma cerimônia, todos junto com seus familiares renderam tributo ao
heróico cantor e compositor chileno preso e assassinado poucos dias depois
do golpe militar perpetrado contra o Presidente Salvador Allende, em 1973.
A presidente Michelle Bachelet participou da homenagem. “Acredito que
finalmente, trinta e seis anos após sua morte, Victor pode descansar. Ele é
um exemplo para todos nós”, declarou.
A homenagem foi anunciada assim que o Serviço Médico Legal confirmou que o
artista de fato foi vítima de torturas e de múltiplas fraturas por feridas
de balas no crânio, tórax, abdômen e extremidades que provocaram um choque
hemorrágico.
Ex-prisioneiros do Estádio onde foram encarcerados mais de 5 mil chilenos,
que conseguiram sair com vida dessa barbárie, estiveram presentes nos
eventos, com testemunhos.
Uma de suas músicas mais conhecidas, Te recuerdo, Amanda, foi cantada por
milhares de vozes no percurso pelas ruas de Santiago. Seus pais, Amanda e
Manuel, se transformaram nos personagens dessa canção, em que ele relata o
romance entre um operário e sua mulher, que conta apenas com cinco minutos
para vê-lo, na hora do almoço.
Te recuerdo, Amanda,
la calle mojada,
corriendo a la fábrica
donde trabajaba Manuel.
La sonrisa ancha,
la lluvia en el pelo,
no importaba nada,
ibas a encontarte con él.
Con él, con él, con él, con él.
Son cinco minutos.
La vida es eterna en cinco . minutos.
Suena la sirena. De vuelta . al trabajo
y tu caminando lo
ilumi nas todo,
los cinco minutos te hacen . florecer
(…)
A atividade de Victor Jara foi parte do amplo movimento cujo objetivo era
resgatar as raízes culturais do Chile, rechaçando a indústria cultural
imperialista. Não se tratava apenas de música, mas também de teatro, dança e
inúmeros outros aspectos culturais.
A música folclórica foi adotada por grupos de estudantes universitários que
viajavam para o interior e investigavam todos os tipos de manifestações da
cultura popular. Inúmeros grupos surgiram, como o grupo Quilapayun, do qual
Jara foi diretor artístico e o Inti-Illimani, que tiveram junto com artistas
como Violeta Parra, grande importância na vida cultural chilena. Alguns
desses grupos continuam em atividade até hoje.
“Não creio que ser cantor revolucionário signifique só cantar canções
políticas. Profundamente revolucionário é salvar os valores dos nossos povos
da penetração imperialista”, afirmara Victor Jara.
Atuou como diretor de teatro da Universidade do Chile e da Universidade
Católica do país. |