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Cresce mobilização por salários entre trabalhadores franceses
Cresce na França a mobilização dos trabalhadores contra o desemprego e por
melhores salários. A semana que se inicia hoje promete muitos protestos e
paralisações, informam sindicalistas de várias categorias.
No setor de transportes a intersindical convocou uma greve por tempo
indeterminado a partir das 21:30h de domingo. Dominique Bussereau receberá na
próxima segunda um grupo de sindicalistas e nomeará um mediador para as
negociações entre patrões e empregados que poderão voltar a acontecer a partir
de terça-feira. As negociações estavam paralisadas, pois as federações
patronais, intransigentes, não aceitavam nem um centavo de aumento salarial.
Os ferroviários franceses estão em estado de pré-greve. O pré-aviso para o
início da greve na próxima quinta-feira foi dado pelos condutores, especialmente
para as regiões onde as negociações não avançaram. As áreas onde os sindicatos
da CGT e da Sud-Rail atuam os trabalhadores declararam a greve para o próximo
sábado a partir das 20h. Todas as quatro organizações sindicais do setor se
puseram de acordo quanto ao chamamento à greve.
Os sindicatos atuantes na área de Museus do Ministério da Cultura também estão
convocando greves contra demissões, melhorias salariais e contra o fechamento
parcial dessas instituições. Já na semana passada o museu d’Orsay fechou suas
portas e só reabriu, no sábado depois de 4 dias de greve. Amanhã seus
trabalhadores farão uma assembléia geral.
O Centro Pompidou está em greve desde o dia 21 de novembro e continua fechado. A
polícia do governo Sarkozy expulsou os grevistas do local onde se mantinham em
protesto. Na próxima quarta eles também realizam assembléia geral.
No sábado o museu do Louvre abriu metade de suas salas de exposições com quase
três horas de atraso, o Arco do Triunfo não abriu de quarta a sábado, Notre Dame,
Saint-Chapelle e a Conciergerie, monumentos nos quais são cobrados ingressos,
estão abrindo gratuitamente suas portas ao público em protesto contra a política
de supressão de postos de trabalho nos museus e monumentos culturais.
Apesar da grande mobilização, o Ministério da Cultura decidiu manter sua posição
de não substituir os trabalhadores que se aposentam por novos quadros, mantendo
a redução dos postos de trabalho no setor e a redução dos horários de
funcionamento dessas casas culturais. Novos embates se avizinham.
O Instituto Universitário de Formação de Mestres – IUFM organizou também para
essa semana uma jornada nacional de mobilizações contra demissões e contra o
projeto de reforma do ensino e formação de professores que consideram uma
regressão. Na semana passada os professores saíram às ruas em Paris exigindo que
no próximo dia 15 de dezembro os deputados rejeitem no Congresso a proposta do
governo, e prometeram mais mobi-lização da categoria para os próximos dias em
todo o país.
Amanhã, terça-feira será o último dia para as negociações salariais para o setor
hoteleiro e de restauração. Um texto do acordo negociado pela CFDT e CFE-CGT foi
rejeitado por outras três representações sindicais. As categorias estão em
estado de alerta. Se não houver acordo os sindicatos convocarão a greve.
As organizações sindicais que atuam no setor de transporte de dinheiro e
abastecimento dos caixas-eletrônicos se encontrarão na terça-feira para discutir
e unificar o chamamento à greve para a partir do próximo dia 21 de dezembro. A
categoria reivindica a equiparação do adicional de risco ao que é pago aos
condutores de fundos e transporte de valores.
No inverno europeu Paris está fervendo, e o governo, uma bagunça. Trabalhadores
tentam fazer com que Sarkozy veja a necessidade de enfrentar a crise iniciada
nos EUA, querem empregos, salários e o desenvolvimento da França, opondo-se a
isso, Sarkozy discute como gastar os recursos dos franceses ajudando os EUA a
manter a ocupação do Afeganistão.
ROSANITA
CAMPOS |