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Evo se reelege com 63% dos votos e faz
maioria na Câmara e Senado
O partido do
presidente boliviano, o MAS (Movimento ao Socialismo), já conquistou 25 cadeiras
das 36 do Senado e 88 das 130 vagas na Câmara dos deputados. A chapa
oposicionista PPB-CN deve ficar com dez senadores e 40 deputados
O presidente
da Bolívia, Evo Morales, conquistou uma ampla vitória nas urnas no domingo dia
6, quando foi reeleito com 63% dos votos e seu partido, o MAS (Movimento ao
Socialismo), alcançou maioria de 69% no Senado e obteve 67% das vagas de
deputados na Câmara. Com essa maioria superior a 2/3 nas duas Casas do
parlamento, o governo de Evo Morales terá agora melhores condições para
aprofundar a transformação em curso no país, através de projetos do executivo.
Com mais de
90% dos votos computados, Manfred Reyes Villa, candidato do Plano Progresso
Bolívia-Convergencia Nacional (PPB-CN) está em segundo lugar com 28% dos votos.
Samuel Doria Medina, da chapa Unidade Nacional, em terceiro com 6%. Em quarto
ficou René Joaquino, da Assembleia Social (AS), com 3%.
Depois de
encerrada a votação, centenas de milhares de pessoas se dirigiram para a praça
Murillo com bandeiras, balões, faixas, flores e muita música. “Evo de novo”,
cantavam até que o líder apareceu, e todos, junto com ele, cantaram o hino
nacional. “Querida Bolívia com dignidade”, saudou Morales. “Graças à consciência
do povo é possível mudar a Bolívia, com base no voto do povo, trabalhar pela
igualdade de todo o povo boliviano”, afirmou.
Dos 166
legisladores que compõem a Assembléia Legislativa Plurinacional – 130 deputados
e 36 senadores -, 110 serão do Movimento Ao Socialismo (MAS), 50 de PPB-CN, três
da UN e três da AS.
Para o Senado
o voto é vinculado ao do presidente e do vice. O MAS de Evo já conquistou 25
cadeiras, podendo ganhar mais uma e neste caso, o PPB-CN deve ficar com dez
senadores. Na Câmara, o MAS deve eleger 88 deputados e o PPB-CN ocupará 40
assentos.
Em clara
demonstração do crescimento do apoio dado a Evo pela população, o MAS ganha em 7
dos nove Estados. A oposição só conseguiu maioria em Santa Cruz e no
departamento amazônico de Beni, regiões onde se concentram os setores mais
resistentes às mudanças e com maior ligação com interesses econômicos externos.
Mesmo assim, Evo aumentou sua votação nos dois departamentos em relação ao
plebiscito realizado em agosto do ano passado. Teve, segundo as projeções, 42%
dos votos em Santa Cruz contra 54% de Reyes Villas e 35% em Beni, contra 49%.
Evo falou à
multidão do balcão do palácio de governo em La Paz, acompanhado do
vice-presidente Álvaro García Linera e dos dirigentes da Central Obreira
Boliviana (COB), de camponeses, indígenas, mineiros e petroleiros, e outros
líderes populares. Insistiu em que o processo de mudanças que encabeça não é de
um grupo, e sim de todo o povo e sublinhou que “agora temos a enorme
responsabilidade com a Bolívia, com a vida e a Humanidade de aprofundar este
processo. Conquistar mais de dois terços do Congresso me obriga a acelerar este
processo revolucionário”.
“Irmãs e
irmãos: meu máximo reconhecimento aos que apostaram no processo de
transformações”, assinalou Morales. E chamou seus rivais a tratar as
divergências e os problemas de forma política, honesta. “Somos um governo da
cultura do diálogo”, acrescentou, questionando a ação violenta e muitas vezes
criminosa dos separatistas.
VITÓRIA DOS POVOS
“Esta vitória
não é só para os bolivianos, é também um justo reconhecimento aos presidentes,
governos e povos anti-imperialistas”, destacou, registrando a importância do
apoio que o país recebeu não só de países como o Brasil, Venezuela, Argentina,
Equador, como da China, da Rússia e do Irã, que repassaram tecnologia e
maquinaria, chaves no processo de industrialização que o governo impulsiona.
Em Tarija e
Chuquisaca, onde em 2008 a oposição obteve vitória, o presidente teve 45% dos
votos (contra 36% do seu oponente principal), e 54% (contra 28%),
respectivamente. Em La Paz o resultado foi mais expressivo: 73% a 10%. Em
Cochabamba, 66% a 23%. Em Oruro, 65% a 10%. Em Potosí, 68% a 6%.
No
departamento amazônico de Pando, na fronteira com o Acre, as projeções não
permitiam apontar um vencedor: Evo e Reyes Villas estavam empatados, com 47% dos
votos cada.
“A meia-lua
será uma lua cheia”, antecipou Evo horas antes do fechamento da votação. Com
essas palavras, apontou um caminho: continuar crescendo na região onde os
separatistas e os interesses das multinacionais do gás ainda têm peso- Santa
Cruz, Pando e Beni.
SUSANA SANTOS
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