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Costa
queixa-se que multas contra abusos das teles “são milionárias”
Na entrevista ao programa Roda Viva da TV Cultura, que foi ao ar no
dia 7, o ministro das Comunicações, Hélio Costa, criticou a rigidez do
Decreto 6.523/08, do presidente Lula, que fixou as normas gerais sobre o
Serviço de Atendimento ao Consumidor (SAC). Mais uma vez, saiu em defesa das
teles. “Ter de atender o cliente em um minuto, sob pena de multas
milionárias, é algo que não acontece em nenhum país”, argumentou.
Até agora não se tem conhecimento de que alguma concessionária
tenha cumprido as novas regras dos chamados “call centers”, em particular no
que se refere à transferência das ligações em até 60 segundos ao setor
competente das empresas em casos de reclamação e de cancelamento de
serviços. Também não se tem conhecimento de “multas milionárias” por
descumprimento desse item.
Se as regras da telefonia, fixa e móvel, e da internet fossem
cobradas “ao pé da letra”, em alguns casos, como a Telefónica, por exemplo,
“multas milionárias” seriam insuficientes. O certo seria cadeia mesmo.
Advogando a favor das teles, Costa disse que o problema é que as operadoras,
coitadas, estão sobrecarregadas de serviço.
O ministro considerou que “a internet no Brasil é uma das mais
caras do mundo, se não for a mais cara”. Ao ser questionado sobre o estudo
encomendado pelo presidente da República, no prazo de três semanas, sobre a
possibilidade de o Estado ofertar o acesso ao usuário final, ele sublinhou
que “o governo não quer fazer a última milha, até por que ela poderá ser cem
ou até mil milhas”, frisou. Na verdade, quando diz governo, leia-se, plano
de Hélio Costa e das teles. “Elaboramos um plano com informações fidedignas
coletadas por nossos técnicos, pela Anatel e pelas empresas. Foi um trabalho
de oito meses, não de três semanas”, acrescentou. Segundo Costa, a ideia é
que o Estado ofereça o acesso onde as empresas privadas não têm interesse e
lucro. O que é uma verdade. As empresas estão interessadas é no filé, nos
grandes centros urbanos do Sudeste, onde dão lucro. E aproveitou para
defender que as teles deixem de pagar impostos.
Durante as perguntas sobre a Conferência Nacional de Comunicação (Confecom),
asseverou que é muito difícil mudar o marco regulatório. Destacou ainda que
a concentração que ocorre nos meios de comunicação é uma “evolução natural”
e que os veículos são “direito adquirido”, coisa que não pode ser mudada.
E relação ao controle social dos meios de comunicação proposto
durante o processo de pré-conferência, Costa disse que é “uma das expressões
mais temerosas. Não podemos permitir que se transforme os meios de
comunicação ao controle como ocorre em alguns países da América do Sul”. E
acrescentou: “Existe um acordo de cavalheiros entre as partes para não
discutir o controle social da mídia”. Na parte que lhe toca, o HP assegura
que não fez acordo algum. Até porque acordo de “cavalheiros” com monopólios
que esfolam o consumidor, convenhamos, não é de nosso feitio.
VALDO ALBUQUERQUE
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