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Copom mantém Selic em 8,75%
O Comitê de
Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) manteve na quarta-feira (9) a
taxa Selic inalterada em 8,75% ao ano, o que deixa o país na vice-liderança
mundial da taxa real de juros, com 4,2%. Assim, na última reunião do ano,
Meirelles manteve o país vulnerável à guerra cambial desencadeada pelos
norte-americanos.
Para o
presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), o diferencial em relação
aos juros externos estimula a enxurrada de dólares provocando a valorização
excessiva da moeda brasileira. “Medidas tributárias como o IOF têm efeito no
curto prazo, mas não anulam as consequências das taxas de juros elevadas”. Essa
situação “limita a retomada dos investimentos e retarda nossa recuperação,
comprometendo o emprego e a produtividade”, disse.
Para sair da
crise, os EUA reduziram os juros, estando atualmente a taxa real de juros está
em 0,3%, e espalharam uma montanha de dólares pelo mundo para rapinar os países
com uma guerra cambial. A forma como cada país se posiciona diante da situação,
pode haver inclusive um desfecho favorável. Porém, manter os juros elevados é
como manter um imã ante esses dólares, que continuam entrando aos borbotões,
sobrevalorizando o câmbio e reduzindo as exportações, especialmente de produtos
manufaturados.
Depois de
elevar os juros para 13,75% às vésperas da derrocada do Lehman Brothers, o BC
manteve a Selic nesse patamar até 21 de janeiro deste ano, quatro meses depois.
Até julho fez uma redução a conta gotas para chegar a 8,75%.
Do ponto de
vista interno, a alta taxa de juros – esfumaçando o crédito - foi um dos veios
de contaminação da economia brasileira à crise norte-americana. Segundo a
Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), a produção de
manufaturados só vai atingir em março de 2010 o mesmo nível de produção de antes
crise, ou seja, até setembro do ano passado. A Fiesp estima uma contração na
indústria de 7% para este ano. A entidade aponta como causas a queda nas
exportações e nas vendas de máquinas e equipamentos no mercado interno. Fato que
se refletiu no nível de emprego, que fechará o na com recuo de 2,5% no setor
manufatureiro, em relação ao ano anterior.
“É um absurdo
o Brasil voltar a ocupar a segunda colocação no ranking das maiores taxas de
juros reais do mundo”, afirmou a Fiesp.
Para Abram
Szajman, presidente da Fecomercio SP, "o BC tende a elevar os juros mantendo a
valorização cambial, a despeito dos efeitos negativos sobre o produto nacional e
do absoluto controle dos preços".
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