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Gestão
demo/tucana deixa SP totalmente à mercê da chuva
Para o prefeito
Kassab, “o resultado foi muito positivo para a cidade”. O governador José Serra
preferiu dizer que enchente é causada por um “problema de comportamento da
população”
A
chuva que caiu nesta terça-feira no estado de São Paulo deixou um saldo, em
menos de 24 horas, de seis mortes, entre elas, as de quatro irmãos, 98 pontos de
alagamento, sendo nove na Marginal Tietê, estradas e ruas fechadas para
circulação e mais de mil pessoas desabrigadas. Somente na capital.
Das seis mortes ocorridas na Grande São Paulo, as mais chocantes foram as de
quatro irmãos que moravam em Santana do Parnaíba. Os irmãos dormiam em seu
quarto, em um barraco, quando um deslizamento de terra, às 5h30,
aproximadamente, soterrou toda a casa matando as três crianças e o jovem. Os
gêmeos Juliana e Juliano, 7, Gilmara, 9, e João, 20.
No momento do desmoronamento, Gilmar Souza dos Santos, 35, pai das três
crianças, fazia o seu café da manhã para ir trabalhar. Depois de conseguir sair
da casa soterrada, Gilmar se juntou aos bombeiros nas escavações de busca.
“Quanto mais escavava, mais descia terra”, disse Gilmar desalentado.
Em todo o Estado, morreram 8 pessoas, de segunda-feira para terça, por causa das
enchentes. O último corpo foi encontrado somente na manhã desta quarta-feira.
Antônio Carlos Vasco ajudava as vítimas do seu bairro quando foi levado pela
correnteza depois de cair em um córrego.
Usina de Traição
O governo do Estado admitiu, em nota, uma falha no sistema de bombeamento das
águas no Rio Pinheiros, o que acabou prejudicando o escoamento da água do Tietê.
A nota da Secretaria de Saneamento e Energia (SSE) afirma que “em média, o Rio
Tietê subiu 7 metros e o Rio Pinheiros, 4 metros”. De acordo com a Secretaria “o
maior problema no Rio Pinheiros foi com uma bomba do sistema da usina de Traição
que não funcionou”.
A Usina de Traição, inaugurada em 1940, possui quatro bombas de sucção com o
papel de escoar o excesso de água dos rios que cortam a cidade, revertendo o
curso das águas do Rio Tietê ao desembocar no Rio Pinheiros para ao reservatório
de água da represa Billings que, junto com a Guarapiranga, abastece as casas de
3.8 milhões de pessoas. “Isso (a falha) comprometeu 25% da capacidade de
bombeamento e estrangulou ainda mais a capacidade de escoamento do Tietê”,
afirmou o governo do Estado.
A bomba, somada ao suspeitíssimo rebaixamento da calha do Rio Tietê - que
demorou mais de uma década para ser concluído, consumiu R$ 1,7 bilhão e segurou
as águas por apenas dois anos – e à falta de investimento no combate às
enchentes tanto pela Prefeitura quanto pelo Estado, parou a cidade de São Paulo
por um dia inteiro. Pela primeira vez que se tem notícia, desde que começaram os
congestionamentos na cidade, foi registrado 0 km de lentidão na capital às 15
horas da terça-feira. Os paulistanos ficaram ilhados.
Resultado positivo
Já o prefeito Gilberto Kassab (Dem), afirmou categoricamente que não houve falha
no sistema de Traição. “Não houve falha na bomba”, disse em um evento na
quarta-feira (9).
O prefeito chegou a dizer que registrou “com muita satisfação” que a Zona Leste
não tinha sofrido com as enchentes. Mas, à tarde, os 11 pontos de alagamentos
ainda registrados na cidade eram exatamente na região. O prefeito negou que
tenha havido caos no município. “O resultado foi muito positivo para a cidade”,
comemorou Kassab.
O governador José Serra também falou sobre a chuva e disse que há um “problema
de comportamento da população” ao jogar lixo em córregos e rios da cidade.
Segundo ele, isso agrava o assoreamento dos rios. |