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Mercosul nega
reconhecimento
à farsa eleitoral em Honduras
Dois dias antes do
encontro, 5 integrantes da Resistência Nacional Contra o Golpe foram
assassinados em Tegucigalpa
A
38a Cúpula do Mercado Comum do Sul (Mercosul), que se realizou em
Montevidéu, no Uruguai, na terça-feira, dia 8, recusou o reconhecimento do
simulacro eleitoral de 29 de novembro com o qual os golpistas tentaram
legitimar o golpe de Estado em Honduras, e considerou inaceitáveis as graves
violações aos direitos humanos que se transformaram em rotina no país
centro-americano.
Dois dias antes do encontro de presidentes ocorreu mais um assassinato de
lideranças populares. Em uma ação típica de esquadrões da morte, cinco
hondu-renhos foram mortos e mais uma mulher ficou ferida em Tegucigalpa.
Todos integravam a Resistência Nacional Contra o Golpe. Segundo um dos
moradores no local, denominado Colônia Villanueva, um elemento conhecido
como integrante da chamada Direção Nacional de Investigação Criminal foi
visto nas proximidades do local do crime e desapareceu instantes antes da
agressão. Os assassinos atiraram de dentro de um carro branco sem placa.
(Ver denúncias de crimes, com assassinatos de 30 lideranças, seqüestros e
torturas em entrevista com o dirigente da CUT de Honduras, José Luis
Baquedano nesta página).
COMUNICADO
O comunicado do Mercosul foi assinado pelos presidentes da Argentina,
Cristina Kirchner; do Brasil, Lula da Silva; do Paraguai, Fernando Lugo; do
Uruguai, Tabaré Vázquez e da Venezuela, Hugo Chávez – que está em processo
de ingresso no bloco -, o comunicado foi lido pelo chefe de Estado uruguaio
e afirma que “diante da não restituição de Manuel Zelaya no cargo para o
qual democraticamente foi eleito, manifestamos o total e pleno
desconhecimento das eleições convoca-das pelo governo de facto,
desenvolvidas em um ambiente de inconstitu-cionalidade, ilegalidade e
ilegitimidade, constituindo um duro golpe aos valores democráticos da
América Latina e do Caribe”.
A presidente do Chile, Michelle Bachelet, afirmou que o pleito hondu-renho,
convocado pela ditadura de Micheletti, “representa a perda da democracia e
nega a restituição de Manuel Zelaya à presidência, criando um precedente que
fere os avanços que tivemos na região. Os países que, como o nosso, tanto
sofreram com esse tipo de situação, não podemos deixar de manifestar nossa
preocupação”.
A presidente da Argentina, Cristina de Kir-chner, que assumiu no encontro a
Presidência pro-tempore do Merco-sul, assinalou na cúpula semestral do bloco
que a Organização dos Estados Americanos (OEA) “deveria tomar medidas
econômicas” contra a ditadura de Honduras.
MEDIDAS
“Além da declaração clara e contundente feita hoje pelos presidentes do
Mercosul, certamente haverá medidas econômicas e acho que a OEA também
deveria tomá-las”, disse Cristina, na entrevista coletiva com a qual se
encerrou a reunião.
O ministro das Relações Exteriores do Brasil, Celso Amorim, disse que não há
prazo para que o presidente hondu-renho, Manuel Zelaya, deixe a embaixada do
país em Tegucigalpa e afirmou que a diplomacia brasileira facilitou o
diálogo no país, rejeitado pelo governo golpista.
Hugo Chávez, cujo país se encontra em processo de adesão plena ao Mercosul,
asseverou durante seu discurso na Cúpula que “não podemos aceitar nada a não
ser que Zelaya volte ao governo e que haja de novo eleições”. |