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Sindicalistas do Cone
Sul: “fortalecer os nossos Estados nacionais no combate à crise da
globalização neoliberal”
Leonardo
Severo - Enviado Especial
A
“IX Cúpula Sindical do Cone Sul: para fortalecer a integração com justa
distribuição da riqueza, por mais direitos e empregos” reuniu em Montevidéu,
no dia 8, dirigentes de 13 centrais, que se posicionaram de forma unitária
pelo fortalecimento do papel dos Estados nacionais no combate à crise da
globalização neoliberal.
Na capital uruguaia, os mais de 500 sindicalistas que lotaram a sede da
central PIT-CNT aprovaram uma série de mobilizações em defesa dos
investimentos sociais, se posicionaram contra a instalação de bases
militares na Colômbia, manifestaram sua alegria diante da vitória do
presidente Evo Morales na Bolívia e repudiaram as eleições fraudulentas
promovidas pelos golpistas em Honduras.
O evento convocado pela Coordenadora das Centrais Sindicais do Cone Sul, que
representa a mais de 25 milhões de trabalhadores da região, destacou que “a
crise deixou claro as conseqüências de uma política de redução e
debilitamento do papel e da capacidade de ação do Estado”. “Seja pela
demonstração dos efeitos desastrosos provocados nos países que mais
fervorosamente aplicam esse modelo neoliberal, como é o caso de EUA; seja
pelo fato de que os países que retomam e reforçam a ação do Estado na gestão
econômica e na promoção de políticas públicas essenciais sofreram menos os
impactos da crise”, acrescentou o documento final do evento.
A magnitude dos problemas gerados pela crise, alertaram os sindicalistas,
demonstra a necessidade de acelerar a integração, sendo esta cada vez mais
“uma alternativa imperiosa para nossos povos”. Daí, a necessidade de
enfrentar os obstáculos ainda existentes dentro do Mercosul, como “os
conflitos comerciais e a lentidão para colocar em marcha os acordos
assinados”.
Para o secretário de Relações Internacionais da CTA (Central de
Trabalhadores da Argentina) e dirigente da Coordenadora, Adolfo Aguirre, a
presença tão expressiva de lideranças da Central Sindical das Américas (CSA)
e da Federação Sindical Mundial (FSM) no evento, bem como do presidente
eleito do Uruguai, Pepe Mujica, demonstram que a região vive novos tempos,
“de somatória de esforços e consciência contra a globalização neoliberal”.
INCLUSÃO
“Este é um momento mágico, ímpar, especial. Para que ele permaneça, façamos
valer a nossa vontade e determinação, dando início a um processo democrático
popular de inclusão e justiça social para toda a Amèrica Latina, derrotando
a ideologia e o modelo neoliberal”, afirmou Adeilson Telles, da Executiva
Nacional da CUT. “Todos temos direito à energia, água, infraestrutura,
saneamento, educação, saúde, salário e emprego. O fortalecimento do Mercosul
coloca esta possibilidade e esta oportunidade. Para avançar, precisamos de
maturidade e sabedoria, de unidade”, frisou.
A secretária de Relações Internacionais da CGTB-Brasil, Maria Pimentel,
lembrou que embora haja muita propaganda a respeito de uma hipotética
recuperação, a crise no centro da economia capitalista fica evidenciada
quando a taxa de desemprego alcança o patamar dos 17,5% nos EUA. “Agora os
bancos privados norte-americanos aportam dezenas de trilhões de dólares para
derrubar nossas exportações e utilizar estes recursos para comprar nossas
empresas estatais e capturar nossos mercados com dinheiro sem nenhum lastro.
Necessitamos enfrentar isso com o fortalecimento do mercado interno dos
nossos países e, para isso, é preciso aumentar os salários e reduzir as
jornadas”.
O coordenador nacional da PIT-CNT, Juan Castillo, lembrou que, pela
experiència uruguaia, onde o sindicalismo conseguiu se aglutinar numa única
central, a somatória tem ajudado a forjar o caminho das transformações com
maior protagonismo da classe. Castillo denunciou o governo criminoso de
Álvaro Uribe, que tem assassinado centenas de sindicalistas “para manter a
Colômbia como quintal dos interesses norte-americanos na região”, e
hipotecou, em nome de todos os presentes, “a mais profunda solidariedade ao
povo hondurenho, rechaçando a farsa eleitoral dos golpistas”.
Membro do secretariado da CUT-Chile, Guillermo Scherping, avaliou que
“estamos avançando para a construção de um modelo alternativo ao
neoliberalismo”, já que “o movimento sindical iniciou a tomar consciëncia de
sua força, da sua capacidade de influenciar a região”.
Representando a CGT Argentina, Rafael Hidalgo ressaltou que “os apóstolos do
neoliberalismo queriam a classe trabalhadora como mão-de-obra barata e
inculta, alienada. Porém aqui estamos pensando a América como uma Pátria
grande, com nossos pontos de unidade se sobrepondo aos interesses do capital
monopolista e do latifúndio midiático”. |