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CUT Honduras denuncia “farsa eleitoral golpista”
Presente ao encontro promovido em Montevidéu pela Coordenadora das Centrais
Sindicais do Cone Sul, o secretário-geral adjunto da CUT de Honduras e dirigente
da Frente Nacional de Resistência contra o golpe, José Luis Baquedano denunciou
a situação crítica que vive seu país, “a onda de estupros, assassinatos,
torturas e prisões de oposicionistas”, agradeceu a solidariedade do povo e do
governo brasileiro e exortou os movimentos sociais da região e aprofundarem o
isolamento do regime ditatorial.
Qual a sua análise sobre o momento que passa Honduras?
Em primeiro lugar, é importante destacar que vivíamos um momento intenso de
transformação com o governo do presidente Manuel Zelaya. Esse processo foi
violentamente interrompido pelo golpe de Estado, que uniu toda a elite
vende-pátria do nosso país. Agora, frente ao isolamento internacional e com o
apoio do governo dos Estados Unidos, tentam converter nosso país em laboratório
de um novo tipo de golpe. O fato é que houve uma farsa eleitoral, que recebeu a
repulsa da grande maioria do nosso povo, com a abstenção chegando aos 65%. Isso
apesar da política de terror, da intensa pressão e chantagem feita contra o
conjunto da sociedade e, em especial, contra os trabalhadores.
De que forma essa política de terror tem se afirmado?
Como eu havia dito, a abstenção foi bem alta: dos 4 milhões e 700 mil eleitores,
compareceram às urnas um pouco mais de um milhão e seiscentos mil. Este é um
fato político significativo. Mas existem outros dados, dolorosos, que mostram
até onde chegaram os golpistas. Temos 30 companheiros assassinados, mais de 11
mil detidos ilegalmente, três mil torturados, companheiras estupradas em sessões
de tortura, filhos de militantes assassinados ou presos em estádios... Foi com
base neste clima que levaram uma parte da população às urnas.
E a Frente de Resistência, como se mantém?
Com o apoio da maioria do nosso povo e a convicção de que estamos lutando pelo
país, pelo futuro. Unimos trabalhadores, estudantes, artistas, parlamentares,
gente que se opõe ao golpe de Estado e à oligarquia que ri do povo hondurenho,
que está brincando com a sua sorte, com o seu futuro. Infelizmente, no momento
que mais precisávamos, a ONU e a OEA ficaram só em declarações, mais parecendo
um cachorro que ladra mas não morde.
Qual a situação do presidente Zelaya?
A força e a representatividade do presidente constitucional Manuel Zelaya é o
que faz com que seja tão temido pelas elites do nosso país. São criminosos
covardes, que chegam a ordenar a militares a morte de filhos de militantes para
aterrorizar seus pais. Zelaya, que hoje se encontra exilado, isolado de seu povo
dentro da Embaixada do Brasil em Tegucigalpa, estava liderando um processo de
transformação e justiça social, de valorização do salário mínimo, de
distribuição da riqueza, de democratização...
Como está a liberdade de imprensa?
O que está estabelecido é a censura completa aos meios de comunicação que se
opõem aos golpistas e à sua farsa eleitoral. A Rádio Globo foi fechada, o Canal
36 sofreu ataque à bomba e depois foi tirado do ar.
E os EUA na contramão, apoiando os golpistas...
O governo dos EUA e mais cinco países reconheceram o processo espúrio, validando
o golpe de Estado: Canadá, Costa Rica, Peru, Colômbia e Panamá. Isso abre um
precedente negativo e funesto, por isso deve continuar sendo condenado
energicamente por nossos países e povos. Apesar da censura, o povo hondurenho
tem sido informado pela Resistência de que não está só. A solidariedade nos dá
ânimo para seguir em frente, até a vitória.
LWS |