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Justiça chilena manda prender acusados de
matar ex-presidente Eduardo Frei Montalva
A Justiça do Chile
determinou na segunda-feira, dia 7, o julgamento de seis pessoas acusadas pelo
envenenamento do ex-presidente Eduardo Frei Montalva, cujo mandato transcorreu
entre 1964 a1970. A morte de Frei Montalva ocorreu em 1982 e foi oficialmente
registrado como morte natural. Na época, Frei fazia oposição à ditadura de
Augusto Pinochet (1973-1990), tendo denunciado as torturas e assassinatos
cometidos pelo regime.
Os envolvidos são
quatro médicos, um agente da polícia secreta de Pinochet e um motorista de
Eduardo Frei Montalva. Todos tiveram as prisões pedidas pelo juiz, responsável
pelas investigações desde o ano 2000.
Segundo o despacho
da justiça chilena, três dos detidos foram acusados pelo assassinato de Eduardo
Frei, um como cúmplice do crime e outros dois por terem ocultado o crime.
A rádio chilena
“Cooperativa” afirmou que entre os quatro suspeitos estão dois médicos que
atendiam o presidente Eduardo Frei, que governou o país entre 1964 e 1970 e
morreu em 1982, após tratamento para uma hérnia, aos 71 anos. Na época,
autoridades chilenas disseram que Frei Montalva morreu devido a uma infecção
bacte-riana.
A investigação sobre
a morte de Eduardo Frei Montalva foi reaberta há cerca de dez anos, por
suspeitas da família. A averiguação indicou que substâncias tóxicas como gás
mostarda provocaram a morte do presidente.
A presidente do
Chile, Michelle Bachelet, saudou a prisão dos acusados. “Isso demonstra que no
Chile a Justiça tarda, mas chega. O ex-presidente denunciou violações aos
direitos humanos, e isso provavelmente lhe custou a vida”, afirmou.
O candidato à presidência do Chile, Eduardo Frei, filho do ex-presidente
assassinado, lamentou o fato de pessoas próximas de seu pai estarem envolvidas
no crime. “Não acreditávamos que havia tanta crueldade e maldade no Chile, mas
os fatos demonstraram que assim era. Evidentemente, há pessoas próximas do
presidente Frei, envolvidas em seu assassinato”, afirmou.
Por sua vez, o
deputado Marco Enríquez-Ominami, também candidato à presidência, lembrou a morte
de seu próprio pai, Miguel Enríquez, fundador do Movimento de Esquerda
Revolucionária (MIR) assassinado em 1974. “Sei o que é perder um pai, conheço
essa dor, com a qual convivo há 35 anos. Espero que a justiça esclareça” o caso,
afirmou.
Eduardo Frei,
ex-presidente entre 1994 e 2000, disputa a eleição presidencial, do próximo dia
13 de dezembro, contra o candidato da direita, o bilionário Sebastian Piñera,
apoiado por antigos partidários de Pinochet e o candidato independente Marco
Enríquez-Ominami.
Durante a ditadura
de Pinochet, mais de 3.000 pessoas foram mortas ou desapareceram e cerca de
28.000 foram torturadas. |