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Maria
Eugênia Guerrero Rodríguez:
“Prisão de antiterroristas
cubanos nos EUA é uma injustiça a ser reparada”
Maria Eugênia
(foto), irmã de Antonio Guerrero, um dos cinco cubanos presos nos EUA por
investigarem organizações terroristas que atuavam contra Cuba, principalmente a
partir de Miami, esteve em São Paulo para esclarecer a luta de seu irmão e
demais cubanos. Ela visitou a Câmara Municipal de São Paulo e a Assembleia
Legislativa; participou de encontro da Federação Democrática Internacional de
Mulheres (FDIM) e concedeu entrevista ao HP, que publicamos a seguir.
HP - Como
você vê a prisão de seu irmão e dos demais cubanos nos EUA?
Maria – Os
cinco foram injustamente declarados culpados e já cumpriram anos de prisão. Acho
muito importante que tenhamos conquistado reduções de penas. Meu irmão Antonio
teve a sentença de prisão perpétua mais 10 anos reduzida para 22 anos. Ramón
Labañino, antes condenado a prisão perpétua, teve a pena fixada em 30 anos. Já
Fernando González recebeu uma tímida redução de 19 para 18 anos. René González,
penalizado com prisão de 15 anos, não obteve revisão. A situação mais grave é de
Gerardo Hernández, cuja condenação a duas prisões perpétuas e mais 15 anos está
mantida.
A revisão foi
resultado da decisão da 11ª Corte de Apelações de Atlanta pela anulação do
julgamento, realizado em Miami, onde o clima contra tudo que se refere ao regime
cubano, é intenso, resultado do envenenamento pelas organizações de imigrantes
cubanos e pelo apoio que lhes dá a mídia local. O problema é que apenas três
tiveram a sua condição reconsiderada e, mesmo assim, estão mantidos presos
quando deveriam ter sido imediatamente liberados.
HP - Há
possibilidade de alguma ação jurídica capaz de liberar os cubanos?
Maria – Não
vejo essa possibilidade. A própria Corte Suprema negou-se a considerar uma
apelação intercedida a favor deles. É um caso inédito, pois havia um contradito
claro de uma corte a de Atlanta e dados de que um júri de Miami não tinha como
ser imparcial. Pesquisa de opinião que fez parte do processo judicial indica que
85% da população local têm preconceito contra Cuba e, segundo leis
estadunidenses, um julgamento só pode ocorrer em território onde a neutralidade
esteja garantida.
A Corte Suprema
negou-se também a aceitar depoimentos escritos de onze prêmios Nobel e
organizações de intelectuais, religiosos e juristas.
Neste sentido, a
campanha deve ser orientada para sensibilizar particularmente o presidente
Barack Obama. Esperamos que ele atue de acordo com as palavras de paz e
transformação proferidas em sua campanha. Queremos que ele considere que os
antiterroristas cubanos já pagaram um preço muito além de qualquer
justificativa, que a própria justiça norte-americana considera que erros foram
cometidos e conceda-lhes o indulto presidencial.
HP - O que
realizaram e do que foram acusados?
Maria –
Depois da vitória na defesa de Cuba contra a invasão de Playa Girón,
recrudesceram os planos de ações terroristas individuais. Fidel foi alvo de
atentados. Em 1976, 73 cubanos morreram quando um avião do nosso país explodiu
em pleno vôo. Em 1994, a ação do guatemalteco Percy Alvarado, com descobertas
junto à denominada Fundação Cubano-Americana, repassadas aos órgãos de segurança
de Cuba, tornou possível evitar atentados graves como a planejada explosão do
Cabaret Tropicana. Fingindo-se aliado dos mafiosos de Miami, Percy chegou a
receber das mãos dos mesmos os detonadores que seriam usados para perpetrar a
explosão.
Ele os entregou ao
governo cubano que os apresentou como provas da pretendida ação. Mas não foi
possível deter todas as ações. Planos comandados por terroristas como Posada
Carriles e Orlando Bosh foram levados a efeito. Em 1997, um turista italiano,
Fábio Di Celmo, morreu quando uma bomba explodiu no hotel em que se hospedava.
Houve feridos de bombas colocadas em outros hotéis. Em junho de 1998 o governo
cubano através de representantes nos EUA fazem chegar ao governo norte-americano
um informe sobre a ação destes grupos localizados. A reação foi iniciar a busca
das fontes de informação o que se reverteu na prisão dos 5 logo a seguir, em
setembro.
HP - Como tem
sido a realidade de Guerrero e dos demais na prisão?
Maria – Logo
após o 11 de setembro, foram colocados em celas solitárias. O protesto mundial
que se seguiu, incluindo a intervenção de inúmeras personalidades e organizações
norte-americanas fizeram com que eles retornassem a celas comuns e fossem
novamente autorizados a receber visitas, uma vez que nunca houve nenhuma prova
de que sua ação atentasse contra a segurança nacional dos Estados Unidos.
As visitas de
parentes são permitidas mas dependem de vistos de entrada nos EUA, que demoram a
sair. Caso haja algum impedimento na prisão os familiares que se deslocaram aos
EUA para visitar seus parentes ficam sem vê-los. Guerrero aguardou durante muito
tempo por uma operação de hérnia e foi hospitalizado próximo ao dia das mães,
quando sua mãe viera para se encontrar com ele. Informaram a ela apenas que ele
não se encontrava na mesma prisão. Só a muito custo ela soube que ele fora
internado para se operar e, mesmo assim, ficou sem vê-lo. O conselheiro da
prisão onde Guerrero se encontra declarou recentemente que ele tem tido
“excelente conduta”. E, de fato, uma de suas principais atividades é dar aulas
de espanhol e inglês aos demais prisioneiros.
HP - Como tem
sido a solidariedade aos cinco cubanos?
Maria – Todos
os cubanos ficam muito reconfortados com a dimensão da solidariedade. Destaco a
carta assinada por 3 mil personalidades, intelectuais e ativistas do mundo
inteiro, em 2005, pedindo a libertação de meu irmão e seus companheiros. Entre
eles estava Oscar Niemeyer e Beth Carvalho. Ganhadores do prêmio Nobel da Paz,
como Rigoberta Menchú, Desmond Tutu e Perez Esquivel assinaram. Há pouco tempo,
o presidente do Equador, Rafael Correa, cobrou em entrevista ao vivo em uma TV
de Miami a libertação dos antiterroristas.
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