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Engenheiros de SP homenageiam Fernando Siqueira
Ao receber o prêmio “Personalidade da Tecnologia 2009”,
concedido pelo Sindicato dos Engenheiros no Estado de São Paulo (SEESP), o
presidente da Associação dos Engenheiros da Petrobrás (AEPET), Fernando
Siqueira, disse que a mudança do contrato de concessão para o regime de
partilha e a capitalização da Petrobrás são os grandes avanços para a nova
Lei do Petróleo. No entanto, ele enfatizou que “as propostas em votação no
Congresso tem um ponto fraco, que infelizmente o governo não teve força
política para resolver, que é a continuidade dos leilões”.
Siqueira apresentou uma simulação feita pelo engenheiro Raul
Bergmann, da AEPET-RS, que mostra que “a continuidade dos leilões é um
enorme ponto fraco, que precisa correção, no projeto do governo para a
mudança do marco regulatório para o pré-sal”. De acordo com a simulação, são
adotadas as seguintes premissas: continuidade dos leilões, preço
internacional do barril do petróleo a US$ 70,00, custo estimado de extração
do petróleo do pré-sal em US$ 30,00/barril e a parcela de participação da
União no óleo-lucro de 80%.
“A produção seria remunerada em 43%, isto é, 30 por 70
resulta em 43%, pagos em óleo para o produtor. O relator da legislação do
contrato de partilha colocou que os royalties serão elevados para 15% e o
produtor pagará aos estados e municípios em reais e receberá o
correspondente em petróleo. Então, teria 43% mais 15%, mais os 8,4% do
óleo-lucro no final. Assim, o produtor receberia 66,4% e União, 33,6%. Isso
é inconcebível em uma riqueza que pertence ao povo brasileiro, portanto tem
que reverter a sua propriedade, o poder que o petróleo lhe dá, para o povo
brasileiro”, sublinhou.
Segundo Siqueira, o pré-sal pode alavancar o desenvolvimento e o
incremento da engenharia nacional e, junto com ela, a engenharia biológica.
“Tudo isso pode ser melhorado com essa riqueza. Mas precisamos fazer uma
força para que não haja mais leilões. Não só porque a Petrobrás foi
considerada mundialmente a empresa de petróleo mais viável por causa do
pré-sal, a que tem mais crédito, como também a tecnologia foi gerada por ela
e é fornecida por empresas especialistas independentes, que fornecem para
todas as petroleiras. Não tem nenhuma vantagem contratar empresas de fora se
nós temos aqui uma empresa que já se mostrou competente”, frisou.
Para Siqueira, a descoberta do pré-sal pela Petrobrás, que
custou uma pesquisa de 30 anos, é algo que vai engrandecer a engenharia
nacional, por estar a 7 mil metros de profundidade: “É uma riqueza da ordem
de 10 trilhões de dólares ou 20 trilhões de reais, 15 vezes a dívida interna
brasileira. Nós tínhamos uma reserva de 14 bilhões de barris e de repente
descobrimos um a reserva da ordem de 100 bilhões de barris, considerando uma
forma conservadora de avaliação, o que nos leva a encostar no Iraque, a
terceira reserva mundial”.
Ele destacou que “o segundo poço de Tupi foi testado e
apresenta uma produtividade e 50 mil barris por dia. Pelo fato de sermos
agora um novo Iraque na América Latina, nós temos algumas cobiças externas
sobre essa riqueza. Por exemplo, dos Estados Unidos que têm 30 bilhões de
barris de reserva e consomem 10 bilhões por ano. Por exemplo, das Irmãs que
formam o cartel internacional de petróleo, que detiveram 90% do controle das
jazidas mundiais e hoje têm menos de 5% e, portanto, estão fadadas a
desaparecer. Estão se fundindo para não morrer, mas precisam de petróleo
para sobreviver. Temos a Europa, a Ásia, cujos países têm um grande
desenvolvimento, mas não têm petróleo”.
“É uma honra muito grande receber esta homenagem. Ela é
fundamental para reforçar essa luta que a gente vem empreendendo, para
defender o pré-sal, que pode abreviar a mudança do Brasil de eterno país do
futuro para o país do presente. Ela pode, inclusive, alavancar o desejo dos
jovens de entrarem na engenharia e não sair sem se formar, porque a
perspectiva que se apresenta é absolutamente fantástica”, ressaltou.
VALDO ALBUQUERQUE
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