Manifestações continuam a exigir saída de Arruda do DF
Estudantes e
uma carreata com mais de 300 automóveis agitaram a capital
A
truculência do governador José Roberto Arruda (DEM) contra os estudantes na
semana passada, com os cassetetes, a cavalaria e as bombas de gás, não
conseguiu arrefecer os ânimos da população candanga em sua luta pelo
impeachment da dupla Arruda/Otávio. Um novo protesto foi realizado no fim de
semana exigindo a saída do governador e do vice. Uma carreata com mais de
300 veículos percorreu as ruas da capital exibindo mais uma vez as faixas
como os dizeres: “Arruda, seu lugar é na Papuda” e “PO, seu lugar é no
xilindró”.
Os veículos fizeram um buzinaço durante o
caminho. Ao chegar na residência oficial de Arruda, os manifestantes,
munidos de vassouras, “limparam” a entrada e pediram a renúncia do
governador e de políticos envolvidos no esquema de distribuição de propina.
O objetivo do movimento, formado por estudantes, sindicalistas e movimentos
sociais, é fazer manifestações diariamente até a saída do governador e dos
demais envolvidos.
Diante do repúdio da opinião pública com o
escândalo das propinas e com a violência patrocinada por Arruda, ele tentou
manobrar. Desfiliou-se às pressas do DEM para evitar o vexame de ser expulso
do partido. A atitude, vista por alguns como uma tentativa de evitar o
impeachment, não impedirá a continuidade dos processos que tramitam na
Câmara Distrital. Arruda e Paulo Otávio respondem a onze processos exigindo
a sua cassação. Três deles já foram aprovados e estão em tramitação na casa.
Nesta segunda-feira, o presidente da Câmara, que apareceu guardando dinheiro
na meia, e mais dois outros deputados foram processados pela OAB-DF e a OAB
nacional.
Subestimando a indignação popular, Arruda achou
que sua renúncia ao DEM já era suficiente para esfriar as coisas e resolveu
comparecer a uma atividade de governo no Lago Paranoá, no fim de semana. Não
deu outra. Foi escorraçado pelos presentes. Nem bem ele chegou ao lugar e já
foi se formando uma multidão que partiu em sua direção. Desconcertado, o
ex-demista, cria do PSDB, foi obrigado a abandonar o local na carreira,
escoltado por seguranças. Uma imagem bem diferente de algumas semanas atrás
- antes de ser filmado recebendo as polpudas propinas - onde Arruda vivia
sendo paparicado por certa mídia, pelos puxa-sacos de plantão e por
políticos tucanos.
SÉRGIO CRUZ