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Em vídeo de setembro, José Serra corteja Arruda durante evento
Há bem pouco tempo o presidenciável José Serra
tornava público que preferia ter o governador do DF como seu vice. O
“namoro” dos dois se deu no ato de assinatura de um convênio entre a
Companhia de Saneamento do Estado de São Paulo (Sabesp) e a Companhia de
Saneamento Ambiental do Distrito Federal (Caesb), em setembro. Na gravação,
que circula pela internet, Serra aparece ao lado de Arruda dizendo
textualmente: “Se eu definisse algo no plano nacional e ele (Arruda)
estivesse junto, eu diria vote num careca e ganhe dois”.
A desfiliação do governador do Democratas foi
entendida por diversos partidos como uma manobra política para impedir que
Câmara Legislativa vote o impeachment. Para a deputada Érika Kokay (PT), com
a saída do DEM, Arruda quer passar a imagem que não é mais um adversário
político nas eleições de 2010, já que sem partido ele não poderá concorrer à
reeleição. Porém, segundo a deputada distrital, o objetivo dos deputados é
se concentrar na aprovação dos pedidos de impeachment.
A Polícia Federal também segue seu trabalho e
começou na segunda-feira a segunda etapa da Operação Caixa de Pandora. Ela
vai pedir a quebra de sigilo bancário e fiscal dos envolvidos no escândalo
do DEM, entre os quais o governador do Distrito Federal, José Roberto
Arruda, o presidente licenciado da Câmara Legislativa, Leonardo Prudente (DEM),
e o ex-secretário de Obras de Brasília, Márcio Machado, presidente do PSDB
do DF, além de parlamentares e secretários de governo. O pedido consta de
relatório parcial a ser entregue ao ministro Fernando Gonçalves, do Superior
Tribunal de Justiça (STJ), que preside o inquérito.
“Se Arruda acha que sua desfiliação vai
minimizar, arrefecer nossa vontade de investigar as denúncias que envolvem
sua gestão, está enganado. Nosso foco não são as eleições de 2010”, disse a
líder do PT na Casa. Vários partidos já deixaram o governo do DF desde o
início do escândalo, entre eles o PDT, PMDB, PPS e o PSB. Vários deles
exigem a saída da quadrilha dos seus cargos. O PPL-DF (Partido Pátria
Livre) divulgou nota exigindo a saída de Arruda e Paulo Otavio (veja matéria
nesta edição).
A liderança do PT na Câmara Legislativa do
Distrito Federal entregou à Procuradoria Geral da República e ao Ministério
Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) representação contra o
governo por conta dos confrontos entre PMs e manifestantes que fizeram um
ato contra o governador José Roberto Arruda, em frente ao Palácio do Buriti.
Cerca de 3,5 mil pessoas participaram de um ato
a favor do afastamento de Arruda, apontado como líder do esquema de
pagamento de propina a deputados distritais e empresários em troca de apoio
político. Para dispersar a multidão, a polícia usou bombas de efeito moral e
balas de borracha contra os manifestantes, além de jogar a cavalaria sobre
os estudantes. Para diversas lideranças na Câmara, é inadmissível o
governador Arruda usar o “Batalhão de Choque para calar o povo do DF”. A
representação foi entregue à procuradora-federal dos Direitos do Cidadão,
Gilda Pereira Carvalho.
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