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Países
ricos querem inverter as responsabilidades, diz ministra
A
ministra Dilma Rousseff (Casa Civil), chefe da delegação brasileira na
conferência sobre mudança climática, em Copenhague, afirmou que os países em
desenvolvimento e emergentes que compõem o G77 – inclusive o Brasil – vão exigir
que as economias ricas destinem de 0,5% a 1% dos seus Produtos Internos Brutos
(PIB) para o financiamento das ações de combate às mudanças climáticas nos
países pobres.
“Se os maiores emissores de gases não colocarem
as propostas de recursos na mesa, essa conta não vai fechar”, advertiu a
ministra, na segunda-feira (14), em sua primeira entrevista coletiva na
Dinamarca.
Dilma criticou a ausência de números concretos
nas colocações feitas pelos países ricos e rechaçou a proposta dos Estados
Unidos e União Europeia, que têm defendido a participação do Brasil na
constituição de um fundo mundial para financiar ações de controle das emissões
de gases causadores do efeito estufa. “A convenção diz que é obrigação dos
países desenvolvidos pagar. E quanto é o montante que estão dispostos a pagar?
Isso não está sendo dito. Nós não vamos abrir mão de negociar, pois não podemos
nos responsabilizar por emissões que nós não fizemos”, comentou.
“Acho que o que está havendo aqui é uma inversão
de responsabilidades, pois muitos países desenvolvidos, que têm a obrigação de
colocar dinheiro em mitigação e adaptação às nações em desenvolvimento, estão
sugerindo que a gente também coloque. Então, vamos ter que financiar a nós
mesmos?”, questionou.
A ministra informou que uma reunião com cerca de
60 ministros, da qual participaram representantes dos países em desenvolvimento,
entre eles, as grandes nações africanas, asiáticas e países desenvolvidos, como
Japão, Estados Unidos e União Européia, discutiu a questão no período da manhã.
“Falamos principalmente sobre duas coisas: as ações de mitigação – o que os
países industrializados e os em desenvolvimento devem fazer – e a discussão
sobre o financiamento. Além disso, claro, metas e critérios de cumprimento do
que está sendo acordado”, disse.
“Será totalmente frustrante se Copenhague der
respostas financeiramente limitadas e institucionalmente incertas”, afirmou a
ministra, em artigo publicado na edição de segunda-feira do jornal O Estado de
S.Paulo.
Ainda na segunda-feira a ministra afirmou que
uma contribuição de US$ 1 bilhão do Brasil para um fundo internacional climático
“não faz nem ‘cosquinha’”, criticando a proposta da senadora Marina Silva (PV-AC),
que também está em Copenhague, segundo a qual o Brasil deveria fazer, com isso,
um gesto para influenciar outros países. “US$ 1 bilhão não faz nem ‘cosquinha’.
Os valores estão em torno de US$120 bilhões, US$ 150 bilhões. Tem valores de US$
500 bilhões (sobre a mesa de negociações)” , declarou Dilma. “A gente não pode
só fazer gesto. O que a gente tem que fazer são medidas reais, concretas,
comprometidas”, disse a ministra.
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