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Bairro da Zona
Leste está há 6 dias alagado em São Paulo
Falha na bomba
da Sabesp fez ruas do Jardim Romano virarem esgoto. Defesa Civil diz para
moradores que “o jeito é esperar” água baixar
Quase
uma semana depois da enchente que parou a capital, bairros da Zona Leste da
capital paulista continuavam alagados. Até a segunda-feira (14), as ruas e casas
do Jardim Romano , em que vivem mais de duas mil famílias, estavam tomadas pelas
águas do Rio Tietê.
O Jardim Romano faz parte de uma região de cinco bairros chamada Jardim
Pantanal, sob os cuidados da Subprefeitura de São Miguel Paulista. No sábado
(12), toda a região, em que moram 60 mil pessoas, ainda estava alagada. Duas
crianças morreram sugadas pela enxurrada que transformou uma lagoa no Jardim
Noêmia num rio.
ESGOTO
De acordo com reportagem do SPTV, a razão da inundação é a falta de escoamento
do Rio Tietê. O Jardim Pantanal fica na região de várzea do Rio, que transbordou
durante o temporal da terça-feira (8) da semana passada e deixou São Paulo
debaixo d’água. A reportagem diz ainda que, para piorar a situação dos moradores
do Jardim Romano que ainda têm suas casas alagadas, as bombas de captação de
esgoto da Sabesp deixaram de funcionar e a sujeira se mistura à água da enchente
trazendo doenças, bichos e mau cheiro. A Prefeitura, no sábado, distribuiu cloro
aos moradores.
A Defesa Civil do Estado culpa “invasões”. “As águas podem baixar em oito dias,
mas se as chuvas continuarem vai demorar mais”, disse o coronel Jair Paca Lima,
da Defesa Civil do Estado, que só na sexta (11) percorreu o Rio Tietê da altura
da barragem da Penha até Mogi das Cruzes para descobrir o que estava
acontecendo. “As saídas regulares de água foram fechadas por construções
levantadas este ano em áreas invadidas”, alegou. A solução para a população que
depende do Estado, segundo Lima, “é esperar”.
Depois de perder tudo com a enchente, o maior problema que os moradores
enfrentam agora é o risco de doenças ligadas à sujeira trazida pela chuva. De
acordo com os próprios moradores até cobras já foram vistas nas águas turvas do
esgoto que tomou as ruas. “Os animais também estão procurando novos
esconderijos”, admitiu o coronel Lima.
Dona Maria Aparecida Rocha, vigilante, diz o filho de 1 ano e 9 meses está com
diarreia. “Da mesma forma que o meu adoeceu, eu estou com diarreia e vai ficar
todo mundo doente”, diz.
Nesta segunda-feira (14), o prefeito Gilberto Kassab (DEM) disse que a “situação
chegou ao limite”. Ele disse que vai tirar as famílias das áreas de risco, mas
só no ano que vem.
LIMPEZA
“Se eles fizessem obras no rio não precisaria retirar as pessoas. Aqui alagou
porque eles não limpam os esgotos, não passa gari aqui”, denunciou o vigilante
Cristiano Leal Santos, de 34 anos, que vive no local desde que nasceu.
Na sexta feira, os bombeiros encontraram os corpos dos dois meninos que tinham
desaparecido na quinta-feira (10) no Jardim Noêmia. Um dos desaparecidos,
Leonardo Santos, tinha 11 anos e o outro, Tiago Lesser, tinha 15. Segundo os
bombeiros, eles estavam brincando com mais três amigos e foram levados por uma
forte correnteza. Moradores afirmaram ter ouvido os gritos de socorro dos
garotos. O número de mortos por causa das enchentes na capital chegou a dez
desde a semana passada, e no Estado a 25.
Até o fechamento da edição, não havia notícia de que a água havia baixado. |