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Professores do RS iniciam greve contra
achatamento do salário
Sindicato afirma que Governo desvaloriza
salários ao incorporar benefícios no piso, e
quer reduzir direitos já conquistados
Os professores da rede estadual do Rio Grande do
Sul entraram em greve, terça-feira, em repúdio
aos projetos de lei e à emenda constitucional
encaminhados à Assembleia Legislativa, dia 17 de
novembro, pela governadora Yeda Crusius (PSDB).
Os educadores, organizando barracas na Praça da
Matriz, em Porto Alegre, exigem a retirada ou
rejeição dos textos pelos deputados.
Entre os projetos que ameaçam direitos dos
servidores, o que estabelece a remuneração
mínima de R$ 1.500,00 para os professores que
cumprem jornada de 40 horas semanais foi
rejeitado pela categoria, que denuncia o projeto
como uma manobra do governo estadual para
arrochar os salários dos profissionais na
educação ao determinar que piso incorpore a soma
de todos os benefícios acumulados ao longo da
carreira.
Segundo o Centro de Professores do Estado do Rio
Grande do Sul (Cpers/Sindicato), a proposta vai,
na verdade, desvalorizar o salário dos
professores, porque estabelece como parte do
piso inicial do magistério benefícios e
gratificações que os educadores com tempo de
serviço já recebem atualmente. Com o objetivo de
impedir a aprovação dos projetos que lesam o
funcionalismo, cerca de 5 mil trabalhadores em
educação aprovaram, na quarta-feira passada (9),
a proposta de entrar em greve até que o governo
retire as matérias da Assembleia Legislativa.
“Vamos fazer pressão para o governo retirar o
projeto e dialogar com os deputados para que ele
não seja aprovado”, afirmou a presidente do
Cpers, Rejane de Oliviera. O professor de
História da Escola 25 de Julho e integrante da
diretoria do 14º Núcleo do Cpers, Júlio César de
Jesus, acrescentou que, se a greve não servir
para pressionar o governo, o projeto pode ser
derrubado pelos deputados.
As matérias foram enviadas ao legislativo com
pedido de urgência, o que obriga os deputados a
examinar os projetos a toque de caixa – no prazo
de 30 dias após seu recebimento pela Casa –
impedindo que os aspectos mais polêmicos passem
por um debate amplo com o funcionalismo e a
sociedade. Além disso, o início do recesso
parlamentar estava previsto para começar nesta
terça-feira.
Além do projeto estabelecendo o novo piso do
magistério, Yeda Crusius enviou à Assembleia a
proposta de emenda à constituição estadual (PEC
200/2009), que atinge todas as carreiras de
servidores públicos civis, revogando o parágrafo
3º do artigo 31 da Constituição, que assegura a
promoção nas carreiras por critérios de
antiguidade e merecimento. Também são revogados
os parágrafos 3º e 4º do artigo 33, que
asseguram gratificações e adicionais por tempo
de serviço as licenças prêmio, de três meses com
remuneração, concedidas ao servidor a cada 5
anos por assiduidade. |