|
Exxon Mobil, Shell e British Petroleum
agraciados
com 20 anos de licença para pilhar petróleo do Iraque
A entrega da segunda fatia dos ricos campos de petróleo do Iraque foram
encenadas em Bagdá nos dias 11 e 12 de dezembro. A mais destacada foi o campo de
Kurna Ocidental que, segundo afirma o jornalista Falah El Shakir, em matéria
publicada no Brasil no jornal Monitor Mercantil, deve ultrapassar os 115 bilhões
de barris de petróleo já comprovados. Os agraciados com este campo, que se
caracteriza por ser um dos melhores no país em termos de facilidade de acesso ao
petróleo e em relação à sua pureza, foram a norte-americana Exxon Móbil e a
anglo-holandesa Shell.
Shakir destaca que a repartição do botim fez referência ao “investido” na guerra
no Iraque assim, segundo afirma, “a Exxon Mobil abocanhou a fatia do leão (80%)
das reservas, enquanto, o desdentado Império Britânico deverá ficar satisfeito
com a parcela-saldo das reservas destinada à Shell (20%)”.
Não foi por acaso que – conta Shakir – “quando os primeiros soldados
norte-americanos e britânicos chegaram aos subúrbios de Bagdá em 2003,
denominaram seus primeiros acampamentos de ‘Camp Exxon’ e ‘Camp Shell’”.
A demonstrar a hipocrisia e descaso do governo-fantoche, a sessão de entrega se
realizou no Ministério do Petróleo (construtor da capacidade soberana de
exploração do petróleo iraquiano), no auditório denominado “Sala da
Nacionalização do Petróleo”.
“As duas felizardas petrolíferas serão, ainda, subvencionadas pelo
governo-fantoche de Bagdá com US$ 1,90 por barril extraído”, expõe Shakir,
“enquanto, de novo, o governo-fantoche assumirá todos os custos de modernização
das instalações de extração e demais equipamentos dos dois campos, custos estes
que, no decorrer dos 20 anos de vigência dos contratos, totalizarão US$ 50
bilhões!”
Em 19 de outubro foram anunciados os direitos de exploração para o campo de
Rumaila, com reservas avaliadas em mais de 17 bilhões de barris, os quais serão
cedidos de mão beijada à empresa petrolífera britânica British Petrole-um(38%) e
à chinesa CNPC (37%).
“A produção do imenso campo deverá ser triplicada nos próximos anos, sempre às
custas do governo-fantoche iraquiano, enquanto as duas empresas petrolíferas que
o explorarão, calcula-se, registrarão lucros superiores a US$ 2 bilhões anuais
cada”.
O rico campo de Majnoon, descoberto em 1975 pela Petrobrás que foi paga pelo
trabalho de prospecção e depois o entregou à exploração iraquiana, sob comando
de Sadam Hussein, agora foi para as mãos da Shell e da “malasiana” Petronas (na
verdade 56% de suas ações são do BG Group, cuja sigla quer dizer British Gas).
Houve outros campos distribuidos entre franceses, russos com partipação de
acionistas norte-americanos.
Bastou este açambarca-mento do petróleo pelos monopólios envolver participação
quase marginal de acionistas de fora do círculo estreito ianque para reclamarem
da “injustiça”. T. Boone Pickens, afamado por comandar aquisições de empresas
para ampliar monopólios protestou a congressistas dos EUA: “Eles estão abrindo
os campos de petróleo a outras companhias pelo mundo... Temos o direito sobre o
petróleo e estamos convivendo lá com os chineses tendo acesso ao petróleo. Nós
até perdemos 5.000 de nosso pessoal, 65.000 feridos e um trilhão e quinhentos
bilhões de dólares”.
|