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Copom sinaliza com mais juros ao capital especulativo
No dia 17 de dezembro, o Banco Central anunciou os números do setor
externo, sendo registrado o ingresso de US$ 43,071 bilhões em investimentos
estrangeiros em carteira, de janeiro a novembro, isto é, capital destinado à
especulação. Nesse mesmo dia, o BC divulgou a ata do Comitê de Política
Monetária (Copom), sinalizando que vai continuar mantendo os juros altos,
atrativos aos capitais especulativos.
“O Copom avalia que a política monetária deve manter postura
cautelosa, com vistas a assegurar a manutenção da convergência da inflação
para a trajetória de metas”, diz a ata.
Ora, o próprio Copom afirma no documento que “a probabilidade
de que pressões inflacionárias inicialmente localizadas venham a apresentar
riscos para a trajetória da inflação segue sendo limitada”. Além disso, o
Copom avalia que “continuaram favoráveis as perspectivas de concretização de
um cenário inflacionário benigno, no qual o IPCA seguiria exibindo dinâmica
consistente com a trajetória das metas”.
Portanto, ante a inexistência de riscos inflacionários,
depreende-se que o objetivo do BC continua sendo – desde a derrocada do
Lehmann Brothers – jogar água no moinho do FED, banco central dos EUA, que
inundou o mundo com dólares sem lastro, deflagrando uma guerra cambial na
tentativa de sair da crise. Encontram ressonância, esses dólares, nas
economias que têm os juros nas alturas, valorizando suas moedas, como o
real, deteriorando a produção industrial.
Se bem que Meirelles e os demais integrantes do Copom prefiram
acreditar, conforme o texto, que uma hipotética “tendência de diminuição da
aversão ao risco e da escassez de fluxos de capitais, a liquidez abundante,
bem como certa preocupação entre os investidores quanto à situação fiscal
nos Estados Unidos (EUA) contribuíram para a depreciação do dólar americano
frente às demais moedas”.
Certamente, na ótica dos doutos membros do Copom, os juros
reais de 0,25% ao ano nos EUA e a injeção de US$ 23,7 trilhões no sistema
financeiro desse país, que se espalharam pelo mundo, não tem nada a ver com
a depreciação do dólar. Contudo, mesmo lavrando em ata a inexistência de
qualquer ameaça inflacionária, o BC prefere continuar servindo de trava à
retomada do crescimento econômico.
VALDO ALBUQUERQUE
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