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AET defende “auditoria ampla” na tele
espanhola
O presidente
da Associação dos Engenheiros de Telecomunicações (AET), Ruy Bottesi, avalia que
“não é surpresa encontrar irregularidades na administração da concessionária
Telefónica”.
Ele observa
que o balanço do ano passado da concessionária apresenta empresas subsidiárias e
associadas, “algumas delas sem ponto de presença transparente em São Paulo”: A.
Telecom S.A.; Telefônica Sistema de Televisão S.A (ex Lightree sistema de
Televisão S.A.); Telefônica Data S.A (Ex Telefônica Empresas S.A); Aliança
Atlântica Holding B.V. - Companhia AIX de Participações; Companhia ACT de
Participações; Telefônica Televisão Participações S.A (ex Navytree Participações
S.A); Comercial Cabo TV São Paulo S.A.; Lemontree Participações S.A.; TVA Sul
Paraná S.A.; e GTR-T Participações e Empr. S.A.
Segundo
Bottesi, “alguma dessas empresas tem forte atuação no mercado corporativo, porém
deixando dúvidas à população se é normal e lícito uma empresa concessionária
(Telefônica – Telesp) incorporar outras novas empresas privadas apenas com a
anuência do órgão regulador e sem o aval do Congresso Nacional”.
Para o presidente da AET, também pairam dúvidas sobre a atuação das empresas
subsidiárias e associadas, tais como: níveis de investimentos; realização de
lucros; pagamento de obrigações tributárias; uso intensivo da rede de telefonia
pública, com ou sem a remuneração devida; tipo de relação empresarial com a
empresa detentora da concessão; bens reversíveis à União no caso de rescisão do
contrato de concessão.
“É por isso
que estamos insistindo com a CVM [Comissão de Valores Mobiliários] e Anatel
[Agência Nacional de Telecomunicações] de que é necessário fazer uma auditoria
ampla na Telefônica (Telesp) pelo fato dela ser uma empresa concessionária de
serviços públicos, que tem obrigação de prestar contas para a sociedade”, disse.
E acrescentou: “Desde o ano que as operadoras de telecomunicações foram
privatizadas (1998) a Telefônica (Telesp) vem se posicionando e sendo percebida
por especialistas do setor como uma empresa privada, especializada em explorar
mercados rentáveis, dando pouca demonstração de que é uma empresa concessionária
de serviços públicos. Esse aspecto pode ser visto nas propagandas institucionais
da empresa e nas interfaces de relacionamento com o cliente (call center,
instalações e reparos, etc...) onde o serviço é prestado como se não houvesse
uma obrigação dessa empresa, apesar do contrato de concessão mencionar o
contrário”.
De acordo com
Bottesi, “a Telefônica não tem condições de ser uma empresa concessionária de
telecomunicações, pois não cumpre as obrigações contratuais e também pelo fato
dela estar sempre envolvida em casos que lesam a União e o consumidor”.
“Quando vejo o
prefeito Kassab, o governador José Serra, o presidente da Anatel, [Ronaldo
Sardenberg], o ministro Hélio Costa, etc. trocando gentilezas com a Telefónica,
ficamos desapontados e desconfiados com a postura dessas pessoas, uma vez que
compete a elas zelar pelo patrimônio público e pela boa prestação dos serviços à
população”, sublinha o engenheiro.
Bottesi
informa que a 1ª Delegacia Seccional de Polícia está realizando uma
investigação, Inquérito Policial IP-338/09, sobre as denúncias da entidade sobre
os “investimentos” da Telefónica.
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