Lula: quem tem mais recursos e poluiu mais deve
pagar
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva cobrou,
em discurso na cúpula da ONU sobre mudanças
climáticas em Copenhague, na quinta-feira (17),
que os países desenvolvidos “assumam metas à
altura das suas responsabilidades históricas” no
corte de emissões de gases causadores do efeito
estufa. “É inaceitável que os países menos
responsáveis pelo aquecimento global venham a se
tornar as principais vítimas”, assinalou.
Lula afirmou que o debate em torno da questão
climática não pode ser “uma barganha de quem tem
dinheiro ou quem não tem dinheiro”. “É um
compromisso mais sério, é um compromisso para
saber se é verdadeiro ou não o que os cientistas
estão dizendo, que o aquecimento global é
irreversível. E, portanto, quem tem mais
recursos e mais possibilidades precisa garantir
a contribuição para proteger os mais
necessitados”, disse. Os países ricos não se
comprometeram com recursos para financiar a
contenção de gases poluidores nos países pobres.
O texto que saiu de Copenhague (ver matéria na
página 6) cita apenas um suposto fundo climático
anual de 100 bilhões de dólares até 2020 para as
nações em desenvolvimento, mas não diz de onde
sairia o dinheiro.
Ele condenou a adoção de mecanismos de controle
sobre a aplicação dos recursos provenientes de
financiamentos aos países pobres. “Nós
precisamos tomar muito cuidado com essa intrusão
nos países em desenvolvimento e nos países mais
pobres. A experiência que nós temos, seja do
Fundo Monetário Internacional ou seja do Banco
Mundial nos nossos países, não é recomendável
que continue a acontecer no século XXI”,
alertou.
O presidente denunciou que as nações
desenvolvidas também impedem a disseminação de
conhecimentos que podem ser utilizados no
combate às mudanças climáticas: “O fluxo
internacional de tecnologia e informação neste
setor ainda é uma tímida promessa, uma miragem”.
“Esta conferência não é um jogo de esconder
cartas na manga. Ao final da partida, poderá ser
tarde demais e todos seremos perdedores”,
acrescentou.
Lula destacou que os países desenvolvidos “devem
assumir metas ambiciosas”, lembrando que eles
deveriam se comprometer com “o patamar de 40%
nas reduções das emissões até 2020”.
O presidente mencionou que, apesar do Brasil
contar com uma matriz energética limpa, com 85%
da energia elétrica proveniente de hidrelétricas
– além de ser pioneiro no uso de biocombustíveis,
o país se propõe a reduzir em 85% o desmatamento
da Amazônia até 2020, o que significará diminuir
entre 36.1% e 38.9% suas emissões até 2020. Para
atingir a meta serão necessários investimentos
de US$ 160 bilhões em dez anos, ou US$ 16
bilhões por ano até 2020.